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“Nova política”: do clã Bolsonaro

Miguel Debiasi

Em todos os pleitos eleitorais no Brasil os candidatos se apresentam com a cara da “nova política”. Isto, com objetivo de conquistar uma vaga, seja para a Assembleia Estadual, o Congresso, o Senado ou governador e presidente. Porém, ao ouvi-los, percebe-se da incapacidade e do despreparo quando atingir essa meta política. O atual governo federal é um bom exemplo da “velha política”. Porém, agora com ingredientes mais perversos e nefastos.

O filósofo austríaco, naturalizado britânico, Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951) é considerado dos mais importantes teóricos da filosofia do século XX. Seu pensamento causou uma reviravolta na ciência filosófica com base na linguagem. Sua obra mais lida, o Tractatus Logico-Philosophicus (1922), continua a influenciar o pensamento filosófico ocidental. No tratado Wittgenstein expõe a lógica do pensamento, o qual somente a linguagem pode anunciá-lo ao mundo. Em outros termos, somente a linguagem pode dizer a coisa. As coisas só podem ser ditas ou conceituadas pela linguagem. Com efeito, a linguagem revela a cultura e o ser humano. Ou seja, toda cultura é linguagem.

A expressão “nova política” é usada normalmente em meio parlamentares a contrapor uma legislatura à outra. O golpe parlamentar de 2016 que interrompeu o governo do PT foi articulado pelas elites, parlamentares, grupos midiáticos, criando novo cenário político, social, econômico, cultural. Este cenário nacional é classificado pelas ciências sociais de política conservadora, com viés ideológico fascista. Porém, estes agentes políticos autodenominam-se de “nova política”.

Para entender o que chamam de “nova política” recorrer-se-á a um levantamento realizado pelo jornal O Globo e divulgado em quatro de agosto. O levantamento refere-se à prática política de Jair Bolsonaro desde que assumiu em 1991 seu primeiro mandato como deputado, que deu inicio à trajetória da família na política, ele e seus três filhos, Flávio, Carlos e Eduardo. Exato, 28 anos de ação política.

Segundo o jornal nestes 28 anos foram identificados 286 assessores nomeados por Jair, Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Sendo que ao menos 102 assessores possuem algum parentesco ou relação familiar entre si, ou seja, 35%. A reportagem constatou que vários deles não trabalharam de fato nos cargos públicos. Um caso que veio à luz do dia é da família do policial militar da reserva Fabrício Queiroz, ex-assessor que emplacou sete parentes em três gabinetes da família Bolsonaro (Flávio, Carlos e Jair), desde 2006. Outro caso é Ângela Melo Fernandes Cerqueira, ex-cunhada de Queiroz. Em abril, oito assessores da família Bolsonaro tiveram o sigilo quebrado em investigação do Ministério Público do Rio (MP-RJ), sobre a prática de “rachadinha”, na Assembleia Legislativa (Alerj). A prática da “rachadinha” trata-se da apropriação de parte dos salários dos funcionários pela família Bolsonaro.

Ainda, nada menos que 64 assessores dos 286 tiveram sigilo quebrado a pedido do MP-RJ. No final do ano 2018, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhões entre 2016-2017, nas contas de Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro. O Coaf também identificou outro funcionário depositando cerca de R$ 96 mil na conta de Flávio.

Ademais, a reforma da previdência foi aprovada com a moeda de troca. Isto é, o governo comprou os votos dos deputados e senadores através da liberação de verbas públicas. A conta deste prejuízo sabe-se quem irá pagar no Brasil. O clã Bolsonaro ao autodenominar-se “nova política” chega a ser ridículo e vexatório perante a opinião pública internacional. Como se não bastasse, Jair Bolsonaro faz apologia diariamente da ditadura militar, chama de herói nacional o coronel de Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Este coronel é apontado pela Comissão da Verdade como responsável por 47 sequestros e homicídios, além de ter atuado pessoalmente em sessões de tortura durante o regime. Isto é, a “nova política”, traduz o espírito do clã Bolsonaro.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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