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Sem emprego, sem dinheiro, sem luz...

Miguel Debiasi

 

A fé despojada de seu conteúdo evangélico, privada do sal e da luz, facilmente se corrompe e se dessignifica (Mateus 5,13). E por seu lado, a religião, privada do conteúdo evangélico se rebaixa e perde sua missão profética no mundo. Quando a fé, a religião e a igreja perdem seu conteúdo evangélico, acontece à espoliação dos crentes e a injustiça cresce de forma pungente sobre os últimos da sociedade. O Brasil vive o momento em que os pobres são golpeados e destituídos de todas as condições e esperanças. Com esse projeto caímos todos no submundo, do desumano.

A religião e as igrejas foram criadas para a difusão da fé em Cristo e torná-la historicamente significativa, portadora da mensagem da profecia e da libertação. A fé em Cristo é fecunda e serva da libertação humana de todas as injustiças sociais e de qualquer natureza. Ofuscando essa profecia e missão a religião e as igrejas corroboram com a alienação e torna a missão dos cristãos inútil. Uma vez agraciado pelo sentido da fé em Cristo, é condição para ser cristão a luta pela justiça e por uma vida digna a todos. No conteúdo evangélico a religião, as igrejas e a fé precisam encarnar esse sentido e o radicalizar em todas circunstâncias da vida humana. De resto, é preciso que todo crente, em Deus iluminado, pela sua palavra trilhe o caminho vivido pelo Mestre, Jesus Cristo (João 14,6).

Há especialistas em outras áreas, que com suas ciências pensam e destacam a complexa situação que vive o povo brasileiro. Falamos aqui daqueles que pensam em perspectivas viáveis em relação a necessidade de um plano e pacto social, do qual tornaria a vida dos pobres mais digna. Obviamente, que ouvimos diariamente afirmações destituídas de qualquer consistência filosófica e sem um projeto político e social revolucionário. É preciso pensar num outro projeto socioeconômico e sociopolítico, sociocultural redentor e transformador da vida da população. Enfim, retirar o Brasil da pequena ilha de ventura política iniciada em 2016 no oceano infindo da desventura.

No desenrolar dos fatos muitos perceberam que a política realizada pelo “mito fantasioso” se fecha e pretende ultimar o sentido da vida social, religiosa e da cidadania. Esse projeto político e econômico se degrada, avilta as relações discriminatórias em toda natureza. Fatos e discursos mostram que o Estado brasileiro se inclina à política absolutizada, dando-se por sagrado e mesmo divino alguns limitados mortais. A política absolutizada, destituída de qualquer sabedoria filosófica, torna qualquer incapaz absoluto, que atrai fanáticos e adoradores. A política absolutizada eleva a mitologização do poder, desejo dos ideológicos e dos adeptos a prática do fanatismo escreve o filósofo alemão Ernst Cassier (1874-1945), em sua obra O mito do Estado e do Direto.

A raiz da derrocada da democracia está nos possuidores do poder absoluto, oferecendo suas condições e pretensões, especialmente esta: a ideia que a ditadura salva a democracia, ou é melhor de qualquer outro sistema político. Na verdade, essa ideia não passa de uma estreita ideologia e que aliena a consciência dos cidadãos. A absolutização política fecha a história e essa verdade é expressa na frase do poeta, filósofo, crítico literário português Fernando Pessoa: “todo universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela”. Podemos dizer, que toda ambição da política absolutizada é o poder, que responde aos próprios interesses dos autoritários e aos seus métodos de dominação.  

No momento a história brasileira transborda a realidade dos sem ... Há uma situação que representa um descompromisso e uma infidelidade à natureza do Estado e das políticas públicas. Nesta realidade há um fascínio pela economia privada que é incapaz em resolver a questão de precariedade humana. Sem um projeto para a nação caímos num drama social dos sem dinheiro, sem combustível, sem luz, sem gás, sem emprego, sem educação, sem casa, sem direito, sem oportunidade, sem ... Esta política, foi invocada em nome da fé cristã, em nome de Deus, em nome da moral da família, em nome dos bons costumes, em nome da “nova política”, em nome do Brasil no rumo certo, em nome dos meus filhos... Toda essa invocação “religiosa” flui em causa própria, enriquecendo um grupo da elite e seus patrocinadores que prossegue em curso cantando sua visão fantasiosa enquanto a realidades os desmentem. Lamentavelmente, despojam a fé, a religião, a política de seu conteúdo e o Estado e a economia de sua função pública. A fome, desemprego, altos preços é o pesadelo do povo brasileiro, dos sem...  

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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