- Programas
- Saúde
- Esportes
- Opinião
- Entrevistas
- Giro na Região
- Página Rosa
- Balcão de Empregos
- Mercado Agrícola
- Um Novo Dia com Frei Renor Pegoraro
- Cidadania Italiana com Maria Luciana Tonial
- PROJETO BIOGRAFIAS - 2ª temporada
- Saúde e Bem-Estar Podcast
- Na Torcida Debate
- Série Aqui é o Meu Lugar - 11ª temporada
- Programa A Hora do Agricultor
Mensagem do dia 22/01
Clique no botão para ouvir o Podcast.
MENSAGEM – Frei Jaime Betega
“O afastamento dói menos quando entendemos que estávamos apegados a uma fantasia.”
Andamos bem próximos da fragilidade emocional. Por qualquer coisa nos sentimos perdidos e frustrados. A afetividade precisa se aproximar da maturidade para promover a felicidade. Amar é diferente de apegar-se. O apego costuma se confundir com amor, mas muitas vezes está ligado à expectativa, à imagem criada, ao que se desejava que fosse e não ao que realmente é.
Quando alguém se afasta, a dor inicial parece insuportável porque o coração não perde apenas a pessoa, perde a projeção que sustentava. A fantasia cria promessas silenciosas, futuros imaginados, versões idealizadas que nunca existiram de fato. E quando a realidade se impõe, o choque é inevitável. No entanto, há um amadurecimento profundo nesse processo.
A dor começa a diminuir quando a consciência percebe que o sofrimento vinha mais da insistência em manter uma ideia do que da ausência real. Entender isso não apaga o sentimento, mas o organiza. O afastamento deixa de ser rejeição e passa a ser libertação de um vínculo que não se sustentava na verdade.
Muitas relações permanecem apenas porque o imaginário é alimentado. Quando ele cai, a clareza surge, ainda que acompanhada de tristeza. Essa clareza é curativa. Ela permite resgatar a própria dignidade, recolher expectativas projetadas e devolver ao outro o lugar que sempre foi dele, não o que foi inventado.
O apego à fantasia mantém o coração preso a algo que não se realiza. Soltar essa fantasia é doloroso, mas devolve a autonomia emocional. A dor que nasce desse despertar ensina a amar com mais presença e menos idealização. Ensina a enxergar pessoas como são, não como gostaríamos que fossem.
O afastamento, nesse sentido, não é fracasso, é ajuste de realidade. Ele preserva o que ainda pode ser inteiro dentro de nós. Quando a fantasia se dissolve, a dor encontra limite. O coração começa a se recompor porque passa a caminhar sobre o chão do real. E esse chão, embora menos romântico, é mais seguro. Nele, o amor amadurece, o afeto se torna mais consciente e a vida segue sem a necessidade de sustentar ilusões.