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O comentarista lambe-botas

Miguel Debiasi

 

Os Meios de Comunicação Social têm a participação de comentaristas. Existem comentaristas para as áreas futebolísticas, política, economia, etc. E, dependendo da qualidade das opiniões os comentaristas adquirem credibilidade junto à opinião pública. Alguns se tornam bem conhecidos devido ao alcance da audiência da empresa e não tanto pelas opiniões. No entanto, muitas opiniões são enunciadas aos interesses dos grupos e às políticas que servem.

Ao longo da história radiofônica, sobretudo do telejornalismo, criou-se um rótulo do “jornalismo de verdade”. Com efeito, a maioria dos receptores recebe as informações como absoluta verdade. Isto é tão real que os receptores dispõem de tempo diário para ouvir estas opiniões. De certa forma, certas personalidades do jornalismo tornaram-se ícones da verdade. Contudo, após décadas emitindo suas opiniões diariamente confunde-se a pessoa com a informação. Na prática, fulano disse passa a ser inquestionável, embora não seja a verdade dos fatos.

Para entender essa manipulação dos fatos a fala do presidente Jair Bolsonaro é um bom exemplo. Toma-se o fato do dia 1º de agosto em que o presidente alterou os membros da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. A Comissão foi criada por Fernando Henrique Cardoso, que tem a função de reconhecer os que desapareceram na ditadura militar. A substituição dos membros por Jair Bolsonaro foi porque a Comissão declarou que a morte de Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Felipe Santa Cruz veio do ato da ditadura militar. Ou seja, a morte foi provocada pelo Estado de regime ditatorial e não pelo grupo de esquerda como tentou imputar o presidente da República. Como se não bastasse, o Ministro da Justiça ex-juiz Sérgio Moro abriu processo para investigar o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, no intuito de esconder a verdade sobre a morte de Fernando Santa Cruz pela ditadura militar.

A estratégia política do atual governo federal de mentir, omitir, exagerar, distorcer, parece tão inadequada que fere o exercício do ofício público, sobretudo do múnus presidencial. Por outro lado, os Meios de Comunicação Social, na maioria subservientes visando a troca de moeda e a disputa do orçamento público para publicidade, manipulam as verdades. Logicamente, existem comentaristas independentes e comprometidos com a verdade da informação. Mas, significativa parcela não tem compromisso com a verdade e menos ainda com a responsabilidade social da informação.

Há uma expressão popular a traduzir e designar uma pessoa que usa de subserviência para sobreviver, o lambe-botas. Um exemplo clássico de lambe-botas é o jornalista Alexandre Garcia, que foi porta-voz do ex-ditador João Batista Figueiredo, demitido da Rede Globo por produzir em média quatrocentos comentários mensais em favor do atual governo federal. Lamentavelmente, esta figura subserviente consegue vender sua opção política ideológica aos Meios de Comunicação Social. Pior, que alguns destes Meios de Comunicação Social estão sob o comando da doutrina cristã.

Para o enfrentamento dos manipuladores da verdade disseminando suas nefastas ideologias e interesses políticos, recorre-se ao ensinamento de Jesus aos seus discípulos: “guardai-vos dos falsos profetas, que vem a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mateus 7,15). De resto, como pelos frutos se conhece árvores, pelos comentários do jornalista Alexandre Garcia se conhece dos seus interesses ideológico-políticos. Ao incapaz de emitir um comentário imparcial, por falta da ciência da sociologia, da filosofia, da antropologia, da cultura política, tem sobrenome, lambe-botas.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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