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A hipocrisia dos caloteiros

Miguel Debiasi

 

Os filósofos gregos Sócrates, Aristóteles, Platão e outros são considerados credíveis pensadores pela ciência da filosofia. A verdade em seus escritos atravessam os séculos. Suas ideias são antítese às falsas teorias como a do pensamento sofista. Mas, passados milhares de anos, infelizmente, o sofismo ronda o cenário político nacional. Libertar-se desta hipocrisia é preciso.

A ciência da filosofia considera um sofisma ou sofismo um “raciocínio capcioso”. Isto é, um pensamento caviloso, enganoso, manhoso. Ou seja, um pensamento que procura confundir a verdade e levar ao erro. Trata-se isto, no mundo da filosofia, de proceder de má-fé para levar à ignorância. Nos séculos 7º e 6º a.C., na Grécia Antiga, a palavra sofista, derivada do termo sophistes, significava sabedoria ou sábio. A sabedoria era usada para abordar todos os assuntos, como política, gestão e ética pública. Entre os principais sofistas cito Protágoras de Abdera (490-421 a.C.) e Górgias de Leontinos (487-380 a.C.), que discutiam a partir de um ponto de vista. Isto é, não da verdade enquanto ciência dos argumentos.

O filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) é considerado um dos primeiros pensadores a contrapor os teóricos sofistas, indicando que há duas classes de argumentos, os verdadeiros e os falsos. Os argumentos falsos, ou sofismas, reduzem-se ao uso da linguagem e dos extralinguísticos. Os verdadeiros usam argumentação que não pode ser negada ou contradita. Na sociedade atual fazem uso do sofisma os veículos de comunicação. Um exemplo claro de sofismo é o telejornalismo pela falta de embasamento da notícia veiculada. Outro são os programas de entretenimento que usam um discurso agradável para ganhar a audiência e forçar o telespectador a fazer o que eles pensam ignorando a verdade.

Nos últimos quatro anos no cenário político nacional o sofismo ressurgiu com muita força. Um exemplo de discurso político sofisma foi usado para aprovar a Reforma Trabalhista e da Previdência Social. No caso da Previdência, o governo federal contratou âncoras do telejornalismo para divulgarem notícias favoráveis à reforma. Em contrário, diziam caso não fosse aprovada o Brasil quebraria e não haveria no futuro aposentadoria para os filhos. Todos os veículos de comunicação exaustivamente repetiam esse falso discurso para enganar e iludir as pessoas, sabendo ser outra a verdade.

Neste jogo sofista, os empresários aliados do Jair Bolsonaro apareciam no telejornalismo vestidos com as cores da bandeira do país passando a imagem de fiéis nacionalistas. E, alegando que somente a aprovação da Reforma da Previdência salvaria o país da recessão econômica. No entanto, na lista dos empresários apoiadores estão os mais corruptos. Um exemplo claro é empresário da rede de Lojas Havan, Luciano Hang, devedor à Receita Federal e ao Instituto Nacional de Seguro Social, no valor de R$ 168 milhões. A lista é extensa, como o popular Ratinho, Edir Macedo e outras personalidades dos meios de comunicação social e empresários.

No entanto, diante deste cenário caótico de sofismo político nacional aconteceu um protesto inusitado em que os veículos de comunicação e a mídia sofista buscaram abafar, mas o fato correu ao mundo pelas redes sociais. O protesto inusitado aconteceu na cidade de São Paulo, em 4 de julho do corrente ano, justamente numa loja da Havan, devedora do INSS e da Receita Federal. Um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fazem compras na “Havan” e “pagam” com um cheque simbólico, no valor de R$ 168 milhões. Ou seja, valor do montante da dívida do empresário Luciano Hang, proprietário da loja e financiador da campanha da Reforma da Previdência Social.

Convenhamos que o protesto dos integrantes do MTST foi de uma verdadeira sabedoria filosófica. Parece que nem mesmo os célebres filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles teriam tal sabedoria para expor com tamanha criatividade um sofismo com toda sua falsidade. O fato é da exposição da hipocrisia de caloteiros que defenderam a Reforma da Previdência, cujos são maiores devedores com a nação e população brasileira. Infelizmente, a hipocrisia é alma dos corruptos.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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