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Um país de classe média, uma conquista importante

Miguel Debiasi

São visíveis a divisão e a discrepância social no mundo. A desigualdade impera em cada canto do mundo. A tendência em curto prazo é aumentar a discrepância entre classes sociais. Será preciso com planos globais contrapor a desigualdade social para alcançarmos um mundo mais justo. Nos últimos anos, o governo federal tem implantado políticas públicas de combate a esta problemática social.

A desigualdade social no mundo é vultosa. Os números causam perplexidade moral. Os 10% mais ricos do mundo detêm 52% da renda mundial, enquanto os 50% mais pobres têm apenas 8,5%. Estes 10% mais ricos da população mundial possuem 76% de toda a riqueza do planeta. A metade mais pobre da população possui apenas 2% de toda a riqueza do planeta. Os 10% mais ricos ganham US$ 122.100 por ano, enquanto um indivíduo pobre ganha US$ 3.920 por ano.

No cenário global o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. A Colômbia é o país mais socialmente desigual fora da África. A África do Sul é um dos países mais desiguais do mundo. Mas, a desigualdade social atinge a todos os países, até os considerados do primeiro mundo.

O teórico Friedrich Engels (1820-1895), filho de um rico industrial de Barmen, Alemanha, propôs uma revolução para pôr fim à divisão social. Entregue a esse ideal social publicou inúmeros textos sobre o materialismo histórico e dialético, que é uma abordagem teórica e metodológica que descreve a sociedade com suas divisões e contradições.

Karl Marx (1818-1883) desenvolveu a primeira e mais influente teoria sobre classes sociais. Com base nos meios de produção distinguiu as divisões e as contradições da sociedade entre burguesia (proprietária) e proletariado (trabalhadora). A divisão social que ocorre em todos períodos da história tem como causa a base econômica, esta constrói uma estrutura de antagonismo entre grupos sociais. Essa desigualdade nas relações de trabalho e na divisão da riqueza produz divisão social pela acumulação de mais capital.

Para o teórico Max Weber (1864-1920), economista e jurista alemão, a divisão em classes sociais tem como causa fatores multidimensionais como: o poder político, que é a capacidade influência sobre os outros e os segmentos da sociedade; a riqueza, que significa renda e posse; status, que remete ao estado de honra e prestígio. Weber acreditava que os indivíduos têm liberdade para agir e modificar a sociedade, a política, as relações sociais e as organizações.

Para esses três teóricos a classe social é um grupo dentro de uma sociedade que se diferencia das outras em decorrência do sistema econômico, político e cultural. A classe social é composta por indivíduos que ocupam posição próxima na escala de produção e do consumo. Em razão disso, a classe social tem em comum um padrão de vida, hábitos culturais, poder de influência, mentalidade e interesses. A definição da classe social é predominantemente econômica, relaciona-se a riqueza e renda.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) utiliza uma definição de classe social baseada na faixa salarial. As classes sociais são categorizadas em: classe A (acima de vinte salários mínimos); classe B (dez a vinte salários mínimos); classe C (quatro a dez salários mínimos); classe D (dois a quatro salários mínimos).

Outros institutos de pesquisas no Brasil classificam as classes sociais além do aspecto econômico, como da renda, das caraterísticas domiciliares que mensuram o grau de conforto e a escolaridade.

Os estudos da Tendências Consultoria, publicados em janeiro de 2025, apontam que, em 2024, o número de domicílios nas classes C, B e A, renda acima de R$ 3,4 atingiu 50,1%, superando pela primeira vez, desde 2015, a marca de metade das famílias brasileiras.

A renda das classes C e B, que formam a base de classe média, teve crescimento expressivo. Em 2024, os rendimentos domiciliares da classe C (R$ 3,5 mil a R$ 8,1 mil) subiram 9,5%, enquanto na classe B (R$ 8,1 mil a R$ 25 mil) o aumento foi de 8,7%. Segundo o IBGE as políticas de reajustes do salário mínimo acima da inflação contribuíram para elevar a massa salarial e impulsionar o avanço social.

Pesquisas e números mostram que o Brasil tem proporcionado uma migração significativa de famílias das classes D/E para classe C, devido aos fatores como: fortalecimento do mercado de trabalho, recuperação social e econômica impulsionada por políticas de valorização do salário mínimo e criação de novos empregos formais.

A economista da Tendências Consultorias, Camila Saito, diz que com a retomada do emprego desde 2023 houve uma migração importante de famílias, decorrente da melhoria significativa do mercado de trabalho. Outro fator determinante para o avanço social foi a queda do desemprego, onde a taxa caiu para 6,1% no trimestre encerrado em novembro de 2024, o menor índice já registrado. O nível de ocupação atingiu 58,8%, superando os números de 2019.

Fato é que o fortalecimento do mercado e a geração de empregos formais refletiu no aquecimento econômico, com 3,6 milhões de novos postos com carteira assinada entre janeiro de 2023 e setembro de 2024. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB) celebrou o retorno do Brasil ao patamar de um país de classe média e ressaltou que é desejo público do governo federal a redução da desigualdade social.

Conclui, afirmando que todas as medidas econômicas que o governo vem tomando, tem como objetivo combater as desigualdades sociais e que, com o avanço de reformas econômicas propostas pelo Ministério da Fazenda e lideradas pelo ministro Fernando Haddad, aliadas ao equilíbrio fiscal, a tendência é que o país acumule resultados ainda melhores.

A redução da desigualdade social no Brasil é uma conquista. Todos esperamos um país onde as famílias tenham mais emprego e renda, mais oportunidade e crescimento econômico e desenvolvimento humano. Isto significa um mundo com menos pobres e pessoas vivendo na pobreza. Para nós cristãos, vida digna é um claro sinal do Reino de Deus está entre nós (Mateus 4,17).

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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