Palavras entregues aos céus
Naquela manhã desenhei a oração mais profunda e especial aos céus… fui sincera, humilde e me coloquei como alguém com sede de saber e de ter ajuda. Ter ajuda transcendia, era ser fortalecida para poder oferecer não mais, nem em quantidade, mas sim fornecer uma ajuda efetiva, sábia e coerente. Não uma ilusão de ajuda, como via acontecer constantemente.
Mergulhei na profundidade do momento, não existia outra direção, ela se tornava uma só, e isso impedia que divagasse meus pensamentos. Me senti liberta, conectada com algo maior, transcendente, como em poucos momentos da minha existência; algo me conduzia para enxergar além do que via até ali.
Não lembro das palavras que me vi envolta. Elas foram entregues e se apagaram na minha mente, mas eu fiquei revigorada, reconectada… só lembro do final que dizia assim: que mostre a mim mesma a fagulha de quem eu sou e do que desejo ardentemente modificar, embora não saiba disso ainda. Humildemente me fiz renascer com os sentimentos que vieram ao meu encontro e que me inundavam; deixando-me num estado de graça, alcançado em raros momentos.
Foi a oração mais profunda que adentrei. Me entreguei tanto que, quando dei por mim, voltava inebriada de um lugar seguro, com acolhida, entrega e espontaneidade. Desejava lembrar as palavras, mas elas se dissolveram e se transformaram numa leve sensação.
Eram mais do que palavras entregues aos céus, eram sentimentos que me encharcavam de plenitude. Eram formas de amor que se costuravam através dos tempos e que permaneciam seguras, transparentes e fortalecidas.
As nossas orações são entregues do tamanho da nossa confiança, do nosso desejo por mudança, da dor que sentimos, mas principalmente da fé que constantemente regamos.
Foi ali, nessa entrega, que teci sentimentos que habitavam meu íntimo. Conectada na gratidão daqueles passos segui...
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