O limite que não implantou
Você não precisa da autorização de alguém para estabelecer a ordem, o limite, a vírgula ou o ponto na sua vida.
Não precisa explodir, nem implodir. O limite pode se estabelecer antes, até porque os alertas continuam te mostrar que algo está frágil e necessita se redirecionar.
Por que me irrito tanto? Questionava-se inicialmente, para si mesmo. Depois passou a perguntar para todos que pudessem ouvir a angústia que, através das suas palavras, ecoava no ambiente...
Ficava a olhar para os lados e para os céus, para ver se a resposta das inquietações chegava até ele. Sua ânsia por respostas afastava ainda mais o entendimento dentro dele. Ficava cada vez mais enrolado em suas dúvidas.
Como foi difícil construir algo que nem conhecia. Mas no meio dos dias e na atrapalhação que vivia, esquecia-se do que tanto desejava compreender.
Um dia engasgou com a sua não voz. Viu a criança que foi desamparada e sem direção. E foi ali, naquele instante, que percebeu que independente de como havia se construído a irritação que sentia ainda estava com ele. E foi ali que as reflexões estiveram presentes. Percebeu-as amarradas ao quanto não deixava claro o limite necessário para os que com ele andavam.
Por certo tempo se deixou envolver e andou no andar do outro, esquecendo-se de si próprio.
Aquele limite que não implantou ressoava a procura de uma demarcação.
Precisou implantá-lo, respeitando-se de todas as insanidades que vinham acordá-lo. De todas as quebras que tentavam subvertê-lo.
Esperava algo mágico deslizando como verdadeiro sobre si. E quanto mais se pressionava mais distante da sua verdade ficava. Ela se escondia em meio a seus questionamentos. Até que seguiu firme no entendimento do seu propósito que ficava cada vez mais coerente e consciente dentro de si.
E foi ali que despertou em si mesmo.
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