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O ano do guardião da Igreja: São José

Miguel Debiasi

O ano do guardião da Igreja: São José

Para celebrar os 150 anos da declaração do esposo de Maria como padroeiro da Igreja Católica, o papa Francisco dedica o ano de 2021 como o Ano de São José. A abertura da dedicação aconteceu no dia 08 de dezembro de 2020 e se estende até 08 de dezembro de 2021. O anúncio da dedicação veio através da Carta Apostólica Patris Corde – Coração de Pai. Esta é uma outra boa iniciativa do Papa Francisco, pela qual anima os cristãos católicos a responderem aos desafios do tempo e do atual contexto mundial. 

Na história e na tradição da Igreja a pessoa da Virgem Maria sempre foi muito venerada pelos cristãos católicos e com justo merecimento por ter sido a escolhida por Deus para ser a Mãe do Senhor (Lucas 1,26-38). A jovem Maria é a escolhida que envolve um outro escolhido, José homem justo e temente a Deus (Mateus 1,18-25). Maria e José constituíram com Jesus a Sagrada Família. A festividade religiosa da Sagrada Família é celebrada no último domingo do ano civil. Os escolhidos de Deus, Maria e José, não poderiam ser considerados e tratados de outra forma pelos cristãos católicos, a não ser pela devoção e fé na Mãe e no Pai adotivo do Senhor. A escolha de Maria e José mostra que Deus está ao lado dos pobres e se encarna no Filho Jesus para libertá-los e salvá-los. Por essa escolha José e Maria são merecedores do dom da santidade e da veneração humana.

A iniciativa do Papa Francisco valoriza o ato do Beato Pio IX que deu o título a São José, Padroeiro da Igreja Universal, através do decreto Quemadmodum Deus – Como Deus, assinado em 08 de dezembro de 1870. Francisco em sua Patris Corde, recorda algumas virtudes que a Igreja reconhece em São José como “Pai amado, pai na ternura, na obediência e no acolhimento; pai com coragem criativa, trabalhador”. O pontífice ressalta o protagonismo de São José “nos faz compreender a importância das pessoas comuns, aquelas que, distantes dos holofotes, exercitam todos os dias paciência e infundem esperança, semeando corresponsabilidade. Homem que passa despercebido, o homem da esperança cotidiana discreta e escondida. É um protagonismo sem paralelo na história da salvação”. São José é um protagonista de vocação cristã pela oblação sobre-humana de si mesmo ao serviço do Messias. Por isso, foi sempre muito amado pelo povo cristão, lembra Francisco.

A teologia de Francisco reconhece São José como exemplo de fé, de trabalho, de dignidade humana e cristã. Aquele que colabora com a salvação humana e fortalece a fé de todos os cristãos que buscam na força do Espírito e na luz do Evangelho de não ter medo de comprometer-se com o Reino de Deus, com especial predileção aos mais frágeis e pobres da terra. Ele é o guardião da Igreja por guardar o Jesus Menino e apreender dele como amar os pobres e com eles expressar a preferência do amor de Deus sem excluir alguém de seu plano redentor. São José como esposo da Virgem Maria e carpinteiro honesto, manifesta bem o que ele representa para toda Igreja, padroeiro, guardião e justo colaborador da redenção humana.

 

A dedicação do Ano de São José quer chegar aos corações dos cristãos católicos, como expressa o título da Carta Apostólica Patris Corde – Coração de Pai. São José como homem justo (Mateus 1,19), atributo somente reservado a Deus (Eclesiástico 7,20) na Antiga Aliança, indica sua importância para a missão da Igreja, neste tempo que a humanidade em sua maioria vive num pauperismo, na miséria e exposta a todo tipo de risco de vida como da covid-19. José de Nazaré, o homem santo e justo, revela sua fé inabalável no plano do Senhor e seu testemunho representa todas as pessoas sofredoras obedientes e acolhedoras da Boa-Notícia do Reino de Deus. O escolhido de Deus cumpriu sua missão de guardar o Deus menino. Hoje, a Igreja vive essa tarefa de tornar os homens e mulheres herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Romano 8,17).

 

A Patris Corde – é um convite a toda humanidade a viver as virtudes e as ações de São José, o homem justo e temente ao Senhor, mesmo sem tudo compreender do mistério de Deus, tudo acolheu e em tudo participou, como esposo da Virgem Maria, como pai adotivo e como guardião da Igreja de Cristo. Dessa forma, o papa Francisco ao dedicar 2021 como ano de São José, quer valorizar tantos homens e mulheres que na sua simplicidade de vida vivem a fé em Cristo e dão um testemunho de ser possível transformar a sociedade injusta numa humanidade mais justa e santa. Enfim, a devoção espiritual e o amor a São José só tende a crescer entre os cristãos católicos e com isso engrandece o plano de Deus que vive nos pobres e humildes no anonimato, contrapondo a sociedade que exalta celebridades e superiores.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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