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Na teia da invisibilidade

Neusa Picolli Fante

Mãe invisível, irmã invisível, amiga invisível, amores invisíveis... Assim como opiniões, cuidados, construções, palavras, colos... Que invisíveis permanecem até que o meu olhar se expanda, ou que eles se permitam ser notados.

Ou, ainda, que o outro se oportunize ver e perceba que não existe ser melhor ou ser pior entre quem fala ou quem cala. Que enxergue além do que seu narcisismo permite, que se veja como alguém que é parte, não o único ou o melhor. Seguindo nesse andar que ele encontre o equilíbrio e conquiste seu espaço, deixando cada um também conquistar o seu.

Até que aquele que está invisível não deposite tudo que não consegue alcançar nos ombros do outro... Que se permita viver, ocupar um lugar – o seu lugar - e imprimir suas marcas.

Nutrir-se na invisibilidade depende de recursos internos, de escolhas. Pode sinalizar uma serenidade e profundo aprendizado ou um desvalor construído ao longo do tempo. Portanto, o sentimento de menos valia diante da invisibilidade pode ou não estar presente...

Pode ser que as glórias vão para o outro, que sabe articular. Trabalhar duro na cozinha pode não aparecer e não ser valorizado. Se não tiver construído em si a confiança de que fez o seu melhor, independentemente do resultado, talvez não compreenda e, consequentemente, não valorize sua própria caminhada.

Portanto, preciso serenamente entender que não é pelo olhar do outro que tenho ou deixo de ter valor.  

Assim, na teia da invisibilidade em que estava envolto, seguia alcançando a própria iluminação.

Sobre o autor

Neusa Picolli Fante

Psicóloga Clínica e Especialista em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto. Graduada em Comunicação Social.  Autora do livro Caminho dos Girassóis: Uma abordagem sobre o luto, Dor sem Escuta, Entrelinhas da Vida, Quintais da Minha alma.

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