Facetas da solidão
Naquele dia me fiz em pedaços e em fragmentos de solidão me transformei. Fazia tempo que não mergulhava profundamente em mim. Algo que vi ou que me disseram propiciou essa catarse.
Deixa-me voltar para mim, reclamava em meu íntimo. Deixa-me colar pedaço por pedaço do meu ser despedaçado. Deixa-me voltar a ser integrada, colada, formada. Reiniciada, quem sabe.
Galho que não cede acaba quebrando, dizia a velha senhora. Mostrava que se não formos mais flexíveis com nossos pensamentos e sentimentos, quebramos em pedacinhos de desilusões várias vezes no mesmo dia.
E a solidão está ali, para alguns o grande mal, para outros é a sabedoria encontrada e reconhecida através das reflexões. No rol de sentir-se solitário assumimos posturas, conceitos a nos encontrar e a nos perder de nós mesmos. Vamos ao encontro do que alcançamos, mas se nos espicharmos um pouco mais, alcançamos sentires não experimentados até ali.
A ponte entre despir-me de coisas que pesam e ocupam espaço, para alcançar as coisas essenciais, faz parte da flexibilidade do meu ser. E é nessa direção que me desenvolvo.
Como diz Soren Kierkegaard “Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se.”. Segundo ele o seguir adiante tentando encontrar novos formas de se enxergar e de se locomover pela vida. Ou se sentir amortecido no caminho, vendo tudo passar menos a nós mesmos. Aplaudo o que muitos fazem consigo. A maneira como se transformam e se sacodem diante dos acontecimentos da jornada.
Foi nesse momento, diante dos acontecimentos da vida, das coisas que não conseguia cuidar e muito menos proteger, que me pus de joelho. Olhando para o horizonte que mostrava a beleza do continuar e para tudo que precisava dirigir a atenção, peguei na minha mão e segui...
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