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Brasil, um país neocolonial

Miguel Debiasi

 

A perda da capacidade econômica, industrial, comercial, tecnológica e política do Brasil é uma constante do pós-golpe parlamentar de 2016. Se no passado o país viveu o estado de colônia com a chegada dos europeus, agora é visto como a neocolônia dos EUA. Na realidade, o país foi submetido às potências econômicas internacionais, diga-se, pela opção do governo atual. Libertar-se desta situação é tarefa para longos anos de independência política.

Para refletir sobre o momento do Brasil recorro ao teólogo Leonardo Boff, que define a situação num pensamento: “somos sócios menores e agregados ao projeto das grandes potências que dominam o mundo”. Segundo o teólogo, o país perdeu a soberania e a autonomia para organizar e criar um programa econômico de desenvolvimento alternativo às imposições da política neoliberal. Ademais, o Brasil tem historicamente se sujeitado à velha política de submissão. Na melhor definição dos cientistas políticos: “passar o chapéu para ver se cai uma migalha”. Tal é a reverência ao mercado global que após vários anos livre dos empréstimos e de pagamento de juros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) o país voltou em 2016 a sua dependência. Nesta condição de dependência do FMI, o Brasil tornou-se novamente um país vulnerável.

As razões pelas quais o Brasil é considerado um país vulnerável são várias. A primeira, conforme o documento divulgado em maio pelo Banco Central Americano (FED ou Federal Reserve), aponta nosso país como o segundo mais vulnerável financeiramente em relação aos 18 países emergentes. O relatório aponta o Brasil à frente apenas da Argentina, país em profunda recessão econômica, totalmente dependente da política econômica do FMI. Na avaliação do FED a vulnerabilidade do Brasil é consequência da falta de uma política econômica consistente, capaz de propor o equilíbrio dos gastos públicos. O resultado é o aumento das contas públicas e o crescimento da dívida bruta do PIB (Produto Interno Bruto).

Admitida esta situação, os analistas políticos se perguntam qual o caminho indicado para a superação da vulnerabilidade. Primeiramente, apontam que é preciso capacidade política nacional de pensar um projeto econômico independente dos grandes grupos internacionais. Sem esta capacidade política, o Brasil continuará dependendo do capital estrangeiro. Em segundo lugar, para enfrentar o aumento da importação de produtos o Brasil precisa fomentar o mercado interno e aumentar as exportações. Enquanto não conseguir implantar essa política econômica, tende a aumentar sua vulnerabilidade. Em terceiro lugar, na falta de uma política econômica de geração de empregos e consumo interno, o Brasil obriga-se a privatizar o capital nacional. Finalmente, nesta lógica, resta ao governo cobrar altos tributos dos cidadãos, como única saída para manter o funcionamento da estrutura pública.

Diante deste cenário econômico e político não resta outra solução extrema a ser tomada pela população brasileira: parar de trabalhar simplesmente. Lamentavelmente, hoje no centro da discussão não estão mais a desigualdade social, pobreza, corrupção, mas os altos tributos cobrados para manter a estrutura pública e seus privilegiados. Nenhum movimento mudará o rumo do país sem a paralisação geral dos trabalhadores vitimados com pesados tributos. A única força está nos braços cruzados dos cidadãos, sufocados social, política e economicamente. Somente este gesto poderá provocar um clamor nacional por uma revolução propondo como solução uma nova constituinte. Para os analistas políticos, somente a eleição de uma liderança nacional que tenha expressiva aceitação da população e que tenha políticas voltadas para o bem coletivo poderá tirar o país desta situação neocolonial de total vulnerabilidade.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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