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As mortes podem mudar o rumo da história?

Miguel Debiasi

As mortes, lutos e perdas atingiram os sentimentos dos humanos. Já não é mais possível a história da civilização continuar nos mesmos trilhos após a pandemia da Covid-19. É o que tantos gostariam de ver, a mudança da civilização do século XXI. O rastro de morte pede uma nova história para a civilização. O presente momento questiona a ação humana e os rumos da economia. A decisão por novo rumo da história, no entanto, cabe ao ser humano, sobretudo, da vontade dos mandatários da economia e das nações.

Da era pandêmica da Covid-19 aflora grandes preocupações humanas. Preocupações com a vida e existência humana. Com a paz mundial. Com o desenvolvimento humano mundial. Com o equilíbrio entre progresso e ecossistema. E muitas outras preocupações. Com a vida e a existência humana, a preocupação é de viver na melhor qualidade. A Covid-19 mostrou que a vida humana passou ser o único e supremo bem para todos. O árduo trabalho da ciência no combate a Covid-19 desperta consciência por mais valorização da vida humana. Mas esta valorização exige uma consciente decisão pessoal e da humanidade inteira. Da escolha de um caminho que esclareça que a vida de uma pessoa depende do esforço de todos os seres humanos. Para tanto, que as preocupações de um e de outro não sejam empecilho para uma vida humana mais harmonizada com toda natureza e comum entre todos.

O sentimento de luto e de perda é uma realidade da civilização mundial. A civilização encontra-se diante de um cruzamento de trilhos, perante o qual é possível tomar outra direção para a melhor qualidade de vida da humanidade. A pandemia que fez milhões de vítimas alerta que a existência humana é provisória e precária. Luto e perda questionam o absurdo de sobrepor a vida valores passageiros, transitórios e hedonistas. A concepção materialista da vida a condicionou ao efêmero. No entanto, da morte e do luto poderá surgir novos caminhos para a civilização, quem sabe ou talvez mais seguros para toda existência humana.

Confrontar-se diariamente com a morte, luto e perdas pode questionar-nos por qual caminho seguirmos, como do capital e da economia sobrepondo-se ao ser humano ou optar por novas alternativas. Espera-se que a pandemia tenha banido de vez o ditado popular que diz “a dor ensina a gemer”. Obviamente, que é muito mais prudente optar por caminhos de qualidade de vida do que enfrentar dores que são desnecessárias. A pandemia colocou a civilização numa encruzilhada em que é preciso discernir melhor as razões do viver a vida. Os milhões de mortes de inocentes, o sentimento de luto e de perda que vão permanecer para sempre nos corações humanos é realidade que questiona a racionalidade materialista e a frieza da secularização. Desta era pandêmica um resultado positivo viria se despertasse uma reflexão e uma ação para uma nova humanidade. Quem sabe, um ser humano a desenvolver capacidade e condições de vida humana e mais integrada ao ecossistema e de sólido espírito comunitário. Esta é uma opção em que a concepção cristã pode contribuir mais e de forma mais concreta com a humanidade.

Na contraposição a concepção materialista, consumista, hedonista da vida, os cristãos são desafiados a apresentarem as pessoas outro caminho, possível de ser percorrido na solidariedade, na partilha comum de recursos e de bens. A fé cristã precisa mostrar que o sentido da existência humana está em viver à luz do proposto por Cristo e de seu Evangelho, caminho para uma humanidade fraterna e integradora. Como propôs Jesus a constituir sua comunidade com discípulos e discípulas, a vida fraterna é caminho para todos os tempos e para todas as gerações (Marcos 3,13-16). À luz da iniciativa de Jesus Cristo e de seu ensinamento é possível constituir uma comunidade universal fraterna, como lugar que preserva e valoriza a vida de todos (Efésios 2,14). A proposta de Jesus torna-se realidade quando todos os bens materiais exercem uma função social, do usufruto comum ou para o bem de todos. Foi este caminho que os primeiros cristãos percorreram com muita sabedoria e que apontaram para a humanidade, sendo viável a todas as gerações (Atos dos Apóstolos 2, 42-47).

Com efeito, a concepção materialista da vida humana é hoje fato. No entanto, nas numerosas vítimas da Covid-19 há uma assustadora denúncia da humanidade materialista. Na passiva resignação a esta realidade revela-se um sistema secular-racionalista que relativiza os seres humanos e sua existência. A atitude de algumas autoridades governamentais no enfrentamento da pandemia, são exemplos que a concepção de vida cristã está distante de ser assumida. Algumas autoridades insistem em ignorar esta catástrofe mundial da humanidade que é a pandemia, de suas posturas precisa-se de uma conclusão à luz do Evangelho: da morte, do sentimento de luto e de perda por tantos inocentes vitimados é claro sinal para uma mudança política, religiosa, ao menos para um cristão consciente em nosso país. Como é maximamente evidente angústia de Jesus no Getsêmani podemos concluir que o alvo da vida está certamente já prefixado para um cristão (Mateus 26,42).  

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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