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Agricultores realizam manifestação em defesa da propriedade em Mato Castelhano

por Ana Lúcia Jacomini

Uma série de manifestações vem ocorrendo nos últimos dias, em favor do marco temporal da demarcação de terras

Produtores rurais seguem realizando nesta quarta-feira, 25/08, um manifesto na BR-285 em Mato Castelhano. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a manifestação que iniciou por volta das 9h da manhã, deve seguir até o final do dia. No local, o trânsito é interrompido por máquinas agrícolas e liberado a cada 30 minutos. A manifestação acontece em favor do "marco temporal" para demarcações de terras indígenas.

O STF (Supremo Tribunal Federal) julga nesta quarta-feira, 25/08, a aplicação da chamada regra do marco temporal. A decisão deve afetar o futuro de 303 demarcações de terras indígenas em andamento no país. Os ministros vão julgar se cabe ou não aplicar sobre as demarcações novas ou em andamento, a regra do marco temporal, uma espécie de linha de corte. Pelo entendimento, uma terra indígena só poderia ser demarcada se for comprovado que os índios estavam sobre a terra requerida na data da promulgação da Constituição, ou seja, no dia 5 de outubro de 1988. Quem estivesse fora da área nesta data ou chegasse depois deste dia, não teria direito a pedir sua demarcação.

O Brasil tem atualmente 421 terras indígenas homologadas, que somam 106,6 milhões de hectares e onde vivem cerca de 466 mil indígenas. Há, porém, outras 303 terras indígenas no país que ainda não conseguiram obter a homologação presidencial, ou seja, que estão em alguma fase do processo de demarcação, sem que este tenha sido concluído. Essas terras somam 11 milhões de hectares, onde vivem cerca de 197 mil indígenas, segundo dados em publicações feitas no Diário Oficial da União.

Caso aconteça a anulação do marco temporal da ocupação de terras, no norte do Rio Grande do Sul ficaria sob risco de desapropriação uma área superior a 95 mil hectares, atingindo mais de 3.500 famílias em áreas rurais e urbanas. Na região, a informação é de que se pretende demarcar aproximadamente 23 mil hectares de áreas em três municípios: 3.900 hectares de Marau, desalojando 90 famílias; 9.700 hectares de Gentil, desalojando 250 famílias e 9.600 hectares de Ciríaco, desalojando cerca de 320 famílias. 

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