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Polícia Civil cumpre quatro prisões preventivas por crime de tortura em Vista Alegre do Prata

por Alessandra Bernardi

A ação contou com a participação da Delegacia de Polícia de Nova Prata e com apoio da Delegacia de Veranópolis

Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Polícia de Nova Prata e com apoio da Delegacia de Veranópolis, deflagrou na manhã desta sexta-feira (24) uma operação que resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva em Vista Alegre do Prata.

As prisões fazem parte de uma investigação que apura crimes de cárcere privado, tortura e violência psicológica, registrados inicialmente no início deste mês pela Brigada Militar. À época, o fato não resultou em flagrante, mas as investigações conduzidas pela Delegada Liliane Pasternak Kramm apontaram que as agressões e o cerceamento de liberdade vinham ocorrendo desde maio deste ano.

Conforme apurado, a vítima, uma garota de programa era mantida nessas condições por suspeitas de que estaria planejando a morte das proprietárias do local onde trabalhava. As responsáveis, motivadas por supostas “orientações espirituais” recebidas durante incorporações religiosas na própria boate, passaram a impor castigos físicos e psicológicos à mulher, restringindo sua liberdade sob o argumento de uma “obrigação religiosa”.

Ainda segundo a Delegada Liliane, a vítima era submetida a violência contínua, e as lesões eram encobertas para impedir a descoberta do crime. “Trata-se de um caso grave, com contornos de violência e perversidade que chocam até mesmo os policiais acostumados à rotina de crimes. A motivação é macabra, e causa espanto a adesão das demais profissionais da casa a tamanha brutalidade, sem qualquer ganho pessoal”, destacou.

Durante as diligências, os agentes apreenderam aparelhos celulares contendo vasto material que comprova as agressões, além de outros elementos que reforçam as provas contra as investigadas.

Foram presas V.O.A. (45 anos), B.B.B. (31 anos), C.P.H. (32 anos) e J.S. (31 anos). As ordens judiciais foram expedidas pela Comarca de Nova Prata, que também determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão. No local, a Prefeitura foi acionada para o cancelamento do alvará de funcionamento e o recolhimento de cães que estavam em más condições de cuidado.

Após a prisão, as suspeitas foram submetidas a exames médicos e encaminhadas à Delegacia de Nova Prata, sendo posteriormente recolhidas ao Presídio Estadual, onde permanecem à disposição da Justiça.

A vítima, M.A.B.S. (30 anos), chegou a ficar internada por 14 dias em razão das agressões. Após receber alta médica, foi levada para a cidade onde vive sua família, em outro estado da região Nordeste.

A investigação segue em andamento e deverá ser concluída nos próximos dias, com o inquérito sendo remetido ao Poder Judiciário.

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