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Toma lá e dá cá!

Miguel Debiasi

Durante a campanha eleitoral de outubro de 2018 a força política conservadora, no caso a vitoriosa, usou discurso de combate à corrupção para tirar o país e a instituição pública da lama da corrupção. Passados trinta dias de seu início, o governo de Jair Bolsonaro está afundando no mar de lama da corrupção. O governo para se sustentar usa a velha política do toma lá e dá cá. Porém, agora articulada da pior forma possível, pelo corporativismo dos três poderes: executivo, judiciário e legislativo. 

Um caso que explicita a política toma lá e dá cá com as questões públicas foi o arquivamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lava Toga. A CPI da Lava Toga teria como foco a investigação de possíveis excessos cometidos por tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, diante do iminente ato de instalação da Comissão no Senado, ministros do governo e do STF articularam-se numa coesão política para que os senadores recuassem do pedido. Vergonhosa foi a pressão dos ministros do governo e do STF, coagindo senadores com ameaça de retaliações até o arquivamento do pedido de instalação.

Mediante o acontecido amplamente divulgado pela imprensa alternativa via redes sociais, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) “afirmou que teve uma conversa por telefone com o ministro do STF Gilmar Mendes, pressionado para recuar com o pedido de abertura da CPI da Lava Toga”. O autor do pedido de criação da CPI da Lava Toga, senador Alessandro Vieira (PPS-SE), “disse que houve ameaça de retaliação por parte de ministros do STF”. Outros senadores recuaram com relação ao pedido de instalação da CPI “diante da ameaça do presidente do STF Dias Toffoli”.

Após negativa repercussão do arquivamento nas redes sociais, parlamentares se rearticulam para coletar novamente assinaturas para a instalação da CPI da Lava Toga. O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) diz ter esperança no desarquivamento do pedido e da instalação da CPI da Lava Toga. No ato pelo arquivamento da CPI da Lava Toga é possível ver o Estado brasileiro consentir com a política do toma lá da cá do governo, congresso e STF, o fortalecimento da política de troca de favores. Na prática, é a política do eu garanto os seus privilégios desde que você não me ameace.

Outra prova desta política corrupta foi o fato do STF arquivar os processos contra a família Bolsonaro. No mesmo dia do arquivamento da CPI da Lava Toga o ministro Luiz Fux suspendeu três processos que tramitavam na corte STF contra Jair Bolsonaro. O mesmo ministro suspendeu ação que tramitava na corte contra o filho do presidente, Flávio Bolsonaro. Na troca de favores da política corrupta foi garantida pelo governo a lei do auxílio-moradia aos magistrados.

Em trinta de dias do novo governo, a política da troca de favores deu tão certo que houve até um encontro comemorativo num restaurante no Lago Sul, em Brasília, do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) com o presidente do STF, Dias Toffoli. Certamente, para muitos brasileiros não é surpresa o conluio político entre governo, congresso e STF. Contudo, o arquivamento da CPI da Lava Toga mostra que políticos e magistrados estão acima da lei, consideram que não podem ser investigados. Porém, representam a política do atraso e lamentavelmente se sustentam em Brasília usando discurso demagógico para ludibriar a opinião pública.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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