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Nossa Senhora Aparecida: símbolo da unidade brasileira

Miguel Debiasi

 

A história do Brasil passa pela religião. A religião teve um papel importante na evangelização, na implantação da Igreja, na organização sociopolítica da nação, na constituição da estrutura do Estado nacional, na formação dos cidadãos, na defesa dos princípios morais e outras contribuições.  É sabido da importância da Igreja, da religião e da fé em trabalhos pastorais, sociais, caritativos e na difusão da doutrina cristã que alimenta o ethos coletivo, a vida sociopolítica e a história brasileira. A Igreja Católica tem construído um grande legado junto ao povo brasileiro.

Toda religião tem seu espírito, sua mística, sua intuição, seu processo e sua esfera de atuação. O filósofo alemão Hegel (1770-1831) nos fala de um auto-saber-se do Espírito absoluto, presente na arte, religião e filosofia. O Espírito absoluto é o autoconhecimento de Deus, pelo qual o homem desempenha papel essencial na história. Para Hegel Deus é Deus só enquanto sabe a si mesmo. O saber é a autoconsciência que o homem tem de Deus. Esse conhecimento de Deus acontece através da intuição sensível presente na estética – arte; através da representação da fé manifesta pela religião; e através do conceito puro articulado pela filosofia.

Para o filósofo alemão Ludwig Feuerbach (1804-1872), a religião é fato humano e comenta: “assim como o homem pensa e quais sejam os seus princípios, tal é o seu Deus: quanto o homem vale, tanto e não mais vale Deus (...) Tu conheces o homem pelo seu Deus e, reciprocamente, Deus pelo homem: um e outro se identificam (...) Deus é o íntimo revelado, a essência do homem expressa: a religião é a revelação solene dos tesouros ocultos do homem, a profissão pública dos seus segredos de amor”. O conhecimento de Deus nada mais é que a consciência da própria espécie humana. Com essa ideia pode-se chegar numa conclusão em latim: homo hominis deus et – o homem é um deus. Esse humanismo de Feuerbach transformou os homens amigos de Deus em amigos dos homens.

O papa Francisco enviou uma mensagem ao episcopado brasileiro reunido na 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB), realizada entre os dias 12 a 16 de abril. Na mensagem o pontífice manifesta sua solidariedade as famílias vitimadas pela Covid-19, afirmando: “a pandemia não excluiu ninguém no seu rastro de sofrimento”. E exortou aos bispos a buscarem a unidade em prol do essencial: “Sempre Jesus! Nele está a base, a nossa força, a nossa unidade. É preciso ser instrumento de reconciliação, de unidade. A Conferência Episcopal deve ser una neste momento, pois o povo que sofre é uno”.

O povo do Brasil tem um grande símbolo de unidade: a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 1717, três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedrosa, moradores nas margens do rio Paraíba do Município Guaratinguetá, São Paulo, desanimados pela infrutífera pesca para o jantar dos Condes. Após vários arremesso das redes puxaram das águas uma imagem sem cabeça. Num novo arremesso puxaram das águas a cabeça da imagem de terra cozida. Em seguida a pesca foi abundante. Os pescadores limparam a imagem com muito cuidado e perceberam que era de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura. Motivados pela pesca abundante construindo uma pequena capela na pobre vila e diariamente começaram a fazer as orações a Virgem Maria e as graças se tornaram abundantes para todos os devotos. A devoção e a fluência do povo crescia diariamente que em 1745 construíram a primeira capela onde iniciou-se a celebração das missas. Essa devoção rapidamente expandiu-se pelos quatro cantos do país e os devotos começaram chamar a Virgem Maria pelo carinhoso nome de Aparecida.

A Campanha da Fraternidade deste ano convidava orar e trabalhar pela unidade dos cristãos do Brasil, com o lema: “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Efésios 2, 14). Nossa Senhora da Conceição de Aparecida é a materialização da unidade. Foi preciso que os pescadores ajuntassem as partes, a cabeça e corpo para constituir a imagem de Nossa Senhora. A imagem de Aparecida traz consigo o clamor pela unidade. Certamente, não haveria a padroeira do Brasil se os pescadores não tivessem usado de todos os cuidados com a imagem de terra cozida partida. Foi justamente o zelo dos pescadores que Aparecida tornou-se a maior devoção popular do Brasil, o grande símbolo de unidade. Obviamente que a Virgem Maria, carinhosamente chamada de Aparecida, une e reúne os pobres e os ricos numa única direção e esperança: em defesa vida do povo. O papa Francisco pede unidade ao Episcopado brasileiro e das igrejas cristãs pela vida do povo. A história de devoção a Nossa Senhora Aparecida identifica-se com esse apelo e em tudo pede unidade pela vida, digna a todos, em especial dos últimos e desamparados que hoje no Brasil são milhões.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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