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É campeã!

Gislaine Marins

Festejamos os recordes dos atletas paralímpicos: mais uma edição encerra-se celebrando a capacidade de superação. É uma pena não reservarmos o mesmo entusiasmo à ciência. Em meio à maior pandemia do último século, em vez de comemorar a rapidez, a qualidade e a segurança das vacinas desenvolvidas para combater a covid, transformamo-nos em uma torcida fanática que faz algazarra na arquibancada tentando abalar o resuldado da equipe por meio de insultos e falácias.

As vacinas representam uma vitória para a saúde pública e para a dignidade do ser humano. É cada vez mais insistente o clamor para que sejam consideradas um bem comum e não apenas uma medida de contenção do contágio pelo coronavírus. Deveríamos ser gratos por compartilhar a possibilidade de uma conquista que iguala todas as pessoas na defesa da vida e por poder ver a nossa liberdade gradualmente reconquistada. Sabemos que ainda precisaremos de muitos meses de comportamentos cautelosos: uso da máscara, distanciamento, higiene redrobada e muita paciência para os inconvenientes que essas medidas exigem. No entanto, não resta dúvida de que a vacina abre o caminho para uma proteção sempre mais confiável e representa a melhor resposta para a vitória definitiva sobre o vírus.

Afinal, todos sabemos que as vacinas permitiram a erradição do sarampo, da poliomielite, da varíola e de outras doenças, assim como sabemos que o reaparecimento do sarampo depois que tinha sido superado deve-se à onda contra a vacinação, que criou vulnerabilidades desconhecidas para algumas gerações. Tão importante quanto confiar na ciênica e na vacina é não abandonar os métodos que permitem erradidar doenças virais.

Todos sabemos, mas não estamos de acordo, como uma torcida que ataca o adversário. Todos sabemos que são mentiras as hipóteses de uma mutação genética devido à inoculação da vacina. Todos sabemos que tomar a vacina não abala a privacidade de ninguém. Todos sabemos que vacinação não é ditadura. Todos tomamos vacinas ao longo da nossa vida para proteger a nossa saúde e a dos outros. Mas com a covid é diferente: é uma questão de torcida. Para derrotar o adversário, usam todo tipo de penalidade e rasteira. Mas sabem que faz parte do jogo a presença de um árbitro que coloque limites nas rivalidades e que faça valer o regulamento. A torcida pode até vaiar, mas sabe muito bem quem tem competência para entrar em campo e salvar a partida: é o time da ciência. A torcida sabe que o juiz tem o dever de aplicar penalidades e impedir que uma disputa acabe em conflito.

Então, se todos sabemos, é hora de fazer um jogo limpo, sem golpes baixos e sem teimosias de crianças mimadas. O final desta partida se aproxima: a nossa saúde está em jogo, mas também a nossa maturidade. Será bonito alcançar a imunidade de grupo daqui a alguns anos e seria lindo se o maior número possível de pessoas, livres desse pesadelo que se abateu sobre as nossas vidas, pudesse comemorar com um aplauso merecido a vitória da ciência, dos pesquisadores, dos médicos, dos enfermeiros e de todos os que de alguma forma contribuíram para que o mundo compreendesse a importância da saúde, da vida, da empatia e da confiança em quem faz do saber uma profissão e não uma simples aposta.

 

Sobre o autor

Gislaine Marins

Doutora em Letras, tradutora, professora e mãe. Autora de verbetes para o Pequeno Dicionário de Literatura do Rio Grande do Sul (Ed. Novo Século) e para o Dicionário de Figuras e Mitos Literários das Américas (Editora da Universidade/Tomo Editorial). É autora do blog Palavras Debulhadas, dedicado à divulgação da língua portuguesa.

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