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Ave ao ideológico e “adeus esquerda”

Miguel Debiasi

Qual o mal que a esquerda praticou no Brasil para ser banida? Os Regimes de Ditadura Militar na América Latina praticaram a violação dos direitos humanos, das liberdades democráticas, fechamento de instituições públicas, tortura, mortes, crimes contra mulheres, crianças, empobrecimento da população, etc. Lamentavelmente, o Brasil vê-se diante do florescimento desta abominável ideologia e prática política.

Na cerimônia de nomeação de autoridades na usina hidrelétrica Binacional de Itaipu, o presidente Jair Bolsonaro elogiou em discurso o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner e disse “a esquerda nunca mais no Brasil”. Ao elogiar um ex-ditador e perseguir a esquerda, cabe uma pergunta: qual a razão da simpatia do presidente pelos ditadores e do ódio pela esquerda? As respostas são muitas. A primeira porque o presidente nunca passou fome. A segunda porque nunca precisou trabalhar de empregado. A terceira porque toda vida esteve amparado nas mordomias e regalias políticas e militares. A quarta é porque contra-argumento o incomoda e o fragiliza emocionalmente. Essa é a principal razão de seu desejo de eliminar a oposição política do país. 

Infelizmente, essa pretensão é excessivamente real e pública no presidente. Na incapacidade de diálogo com os parlamentares e com a sociedade, o presidente promove uma guerra ideológica e inflama uma polarização política. Ao combater as ideias políticas da esquerda, manifesta ser o mais ideológico dos políticos. Em face de sua postura é inútil pregar o “adeus à esquerda”. Em contrário, a cada ato e palavra de perseguição, o presidente justifica estudar o projeto que a esquerda tem para o Brasil, certamente com mais esperanças, como de banir discurso do ódio e as tiranias políticas.

Até o presente momento os cientistas políticos atêm-se a observar que o mandatário da nação personifica conflitos com a política interna e externa. Nele, não se aceita antagonismos que são próprios da ciência política de um Estado democrático de direito. Historicamente o mundo foi dividido em dois campos político-culturais entre Ocidente e Oriente; agora se almeja um Brasil do banimento dos argumentos opostos. Pior, assumir a rivalidade com os que pensam diferente.

O discurso do presidente proferido na Usina de Itaipu expôs seu programa de governo: fazer guerra contra o comunismo e a esquerda. Embora o comunismo nunca fosse experiência e ameaça no Brasil e na América Latina. Pelo contrário, o grande mal no Brasil e na América Latina é o imperialismo norte-americano que estende cada vez mais seu domínio através de uma guerra ideológica, perseguindo países contrários a sua política neoliberal. O discurso maquiavélico do imperial funde a ideia que é preciso eliminar todo aquele que se opõe para que o mundo tenha paz. A política hegemônica dos EUA é destruir os adversários com as piores armas, da guerra ideológica fascista.

Ademais, nenhuma guerra é totalmente política. Noutras palavras, não se realiza uma guerra política, mas sim ideológica. Os adversários são não políticos, mas ideológicos. O general Pinochet baseou-se numa guerra aberta entre o Chile e o comunismo, portanto, ideológica. Tal foi seu discurso: “Praticamente limpamos os marxistas do país;” “Patriotismo é tratar de fazer do Chile um país de proprietários e não de proletários.” Os ditadores brasileiros diziam: "Brasil: ame-o ou deixe-o". Existe algo mais ideológico e fascista que este slogan da ditadura? Impossível.

A jornalista apresentadora de tevê Miriam Leitão (Globo) diz que o presidente, ao elogiar e apoiar Alfredo Strossner, “que foi sanguinário, tinha uma política ideológica mais violenta e corrupta, promove uma guerra ideológica”. Para o jornalista Bernardo Mello Frâncio “a simpatia por ditadores não é novidade na carreira de Bolsonaro. A diferença que seus elogios a Stroessner rebaixam o Brasil e o cargo que ocupa”. Em suma, Jair Bolsonaro diz ave à ideologia da ditadura, da tortura, da perseguição, do crime contra a humanidade e deseja fazer guerra com aqueles que promovem a liberdade, paz, esperança. Ele é a personificação do ideológico.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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