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Acompanhar, discernir e integrar

Miguel Debiasi

Que atitude indica o Evangelho em relação às pessoas divorciadas? Em contexto de crescimento da ruptura de relações matrimoniais, o papa Francisco indica atitude eclesial usando três verbos: acompanhar, discernir e integrar. Eis um grande desafio da Igreja em relação às famílias vitimadas pelo fim do sacramento e do vínculo do matrimônio.

Em tempos de novas ideias e comportamentos a realidade da família vendo sendo questionada. Sem dúvida alguma, a família é uma instituição abalada pela cultura moderna e pelo secularismo. Por outro lado, a Igreja reconhece que toda a ruptura do vínculo matrimonial “é contra a vontade de Deus, está consciente também da fragilidade de muitos dos seus filhos”, escreve o papa Francisco na Exortação Apostólica Amoris Letitia (n. 291). A preocupação do pontífice visa orientar o trabalho da Igreja, especialmente com aquelas pessoas fragilizadas por influência da nova cultura. Para isto, aponta as atitudes da Igreja a corroborarem com o sacramento do matrimônio.

Sendo a família a protagonista da ação pastoral do anúncio e da vivência do Evangelho, “a Igreja deve acompanhar, com atenção e solicitude, os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e extraviado, dando-lhes de novo confiança e esperança, como a luz do farol de um porto ou de uma tocha acesa no meio do povo a iluminar aqueles que perderam a rota ou estão no meio da tempestade”, diz o pontífice (n. 291). O matrimônio cristão é reflexo da união entre Cristo e a Igreja, a realizar-se plenamente na união entre um homem e uma mulher que se doam reciprocamente com amor exclusivo e livre fidelidade.

A primeira atitude da Igreja é o acompanhamento a todos que manifestam consentir para o matrimônio. Acompanhar os jovens para que superem suas fragilidades e se tornem fortes na responsabilidade e na capacidade de atingir uma maturidade e estabilidade de convivência amorosa. Os jovens devem ser os primeiros a serem acompanhados pela Igreja, através de uma pastoral misericordiosa e corajosa que possa levar a uma maior abertura ao Evangelho.

Na insuficiente preparação para o matrimônio, cabe à Igreja evidenciar um maior discernimento das situações para que os jovens identifiquem caminhos e atitudes para seu crescimento humano e espiritual. O bom discernimento não corresponde à aplicação de uma lei ou norma, mas indicar que a existência humana é plena na fidelidade ao Evangelho. Embora as normas apresentem um bem que não se pode ignorar, o bom discernimento leva a encontrar caminhos em Deus, sendo possíveis opções de crescimento espiritual no meio dos limites da cultura contemporânea. Em sua orientação o papa Francisco diz que “em toda e qualquer circunstância que se encontra dificuldade de viver plenamente a lei de Deus, deve ressoar primeiramente a caridade fraterna” (n. 293).

A este respeito, a Igreja não pode equivocar-se no caminho: “duas lógicas percorrem toda a história da igreja: marginalizar e reintegrar” (n. 295), diz o pontífice. Logo, a atitude da Igreja é a indicada por Jesus, a da misericórdia, portanto, a da reintegração. Porque a caridade verdadeira é gratuita. O trabalho da Igreja não avança na gradualidade da lei ou normas, mas numa progressiva misericórdia capaz de levar a integração do ser humano com o amor de Deus. Na iminente situação de ruptura matrimonial, trata-se de encontrar uma prática pastoral de integrar as pessoas e as famílias fragilizadas para que todos encontrem seu lugar na comunidade. Na Igreja que se sintam integradas, portanto, amadas por Cristo.

A lógica do Evangelho não exclui e nem condena. Obviamente, para ajudar as pessoas vitimadas pela ruptura do matrimônio é preciso ouvir o Evangelho, por ser este um convite à conversão. Esta abre novos caminhos que nascem do Evangelho. Então, acompanhar, discernir e integrar é apelo do Evangelho. Assim, mais uma vez o papa com sua sabedoria indica a atitude da Igreja para com as famílias e casais divorciados, separados, ajuntados, etc. Eis o trabalho pastoral da Igreja em vista do ser humano e do matrimônio, sacramento precioso e imprescindível para o futuro da humanidade.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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