Excesso de chuva provoca erosão em lavouras e exige atenção dos produtores com o manejo
Após precipitações que se aproximaram de 300 milímetros na região, engenheiro agrônomo orienta sobre os principais cuidados para reduzir prejuízos e preservar o solo
Foto: Julia Berghetti Xavier/Tua Rádio Alvorada
As chuvas intensas registradas nesta semana em Marau e região, que em alguns municípios se aproximaram dos 300 milímetros, deixaram impactos nas lavouras de inverno e reforçaram a importância do manejo adequado do solo. Segundo o engenheiro agrônomo Maikon Boff, da Produza, além dos prejuízos imediatos provocados pela erosão, os produtores precisam avaliar as áreas atingidas e planejar os próximos tratos culturais para reduzir as perdas.
De acordo com o agrônomo, um dos principais problemas ocorreu em áreas de trigo recém-semeadas, onde o grande volume de água abriu valetas, carregou sementes e removeu a camada mais fértil do solo. A consequência é a redução da população de plantas e, futuramente, da produtividade. "A água levou embora sementes e a parte mais rica do solo. Em muitas áreas, isso já representa prejuízo desde o início da cultura", explica.
Nas áreas cultivadas com plantas de cobertura, no entanto, o cenário foi diferente. Maikon Boff observa que lavouras com mix de cobertura, aveia, nabo e ervilhaca apresentaram menor ocorrência de erosão, já que a palhada protege o solo do impacto da chuva, reduz o escoamento da água e ainda contribui para a reciclagem de nutrientes. Além disso, essa cobertura ajuda a conservar a umidade para a próxima safra de verão.
Depois das chuvas, o principal cuidado, segundo o engenheiro agrônomo, é avaliar as áreas afetadas antes de qualquer intervenção. Em alguns casos será necessário recuperar trechos com erosão, enquanto em outros a prioridade deve ser preservar a estrutura do solo para evitar novos danos. Ele também recomenda que o produtor realize análise de solo antes de definir a adubação da próxima safra, direcionando os investimentos para os nutrientes realmente necessários. "A agricultura exige um ajuste fino. A análise de solo mostra exatamente o que precisa ser corrigido e evita gastar dinheiro com o que não é necessário", afirma.
Com a previsão de um período influenciado pelo El Niño, que tende a favorecer chuvas acima da média, Maikon Boff reforça que o acompanhamento técnico será ainda mais importante nos próximos meses. O monitoramento das lavouras, o controle preventivo de doenças favorecidas pela umidade e o planejamento das operações de campo serão decisivos para reduzir riscos e buscar uma boa produtividade nas culturas de verão.
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