Caxias do Sul avalia decretar situação de emergência após vendaval e granizo; mais de 330 residências foram atingidas
Gabinete de Crise iniciou levantamento dos prejuízos causados pelos temporais que atingiram o município. Defesa Civil contabiliza centenas de imóveis afetados, famílias desalojadas, deslizamentos e árvores caídas
A Prefeitura de Caxias do Sul iniciou os estudos para decretar situação de emergência no município após os dois eventos climáticos registrados nas últimas horas, um vendaval seguido por uma intensa chuva de granizo. A decisão foi tomada durante reunião do Gabinete de Crise, realizada na tarde desta quarta-feira (29), no Centro Integrado de Operações (CIOp), quando o prefeito Adiló Didomenico determinou que o grupo formado por diversas secretarias e pela Defesa Civil Municipal faça um levantamento detalhado dos danos provocados pelos temporais.
Com a consolidação dos dados, imagens e necessidades de atendimento à população, a Defesa Civil terá até dez dias para cadastrar as informações nos sistemas dos governos Estadual e Federal. Caso o pedido seja homologado, o município poderá acessar recursos emergenciais para auxiliar na recuperação das áreas atingidas.
Segundo o prefeito, a decisão sobre o decreto dependerá da conclusão desse levantamento técnico. "Solicitamos ao grupo que faça esse levantamento o mais rápido possível para avaliarmos a possibilidade de decretar situação de emergência", afirmou.
Durante a reunião, o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente Armando da Silva, apresentou um balanço preliminar dos estragos registrados em Caxias do Sul. Até o momento, foram contabilizadas 333 residências atingidas, 56 árvores removidas, 11 pontos com pequenos deslizamentos de terra, seis imóveis interditados, deixando famílias desabrigadas, além de 21 famílias desalojadas que precisaram deixar suas casas temporariamente.
Além do atendimento às ocorrências, a Defesa Civil destacou a atuação preventiva das comunidades organizadas. Um dos exemplos citados foi o Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil (Nupdec) de Galópolis. Na localidade, uma residência foi destelhada, mas os próprios moradores, já capacitados, prestaram o primeiro atendimento e auxiliaram a família antes mesmo da chegada das equipes de emergência.
O município também pretende ampliar a criação dos Nupdecs em bairros e comunidades do interior, além de intensificar o Plano de Contingência nas escolas e promover um grande encontro para formação de novos voluntários, fortalecendo a resposta comunitária em situações de desastre.
Infraestrutura reduziu impactos das chuvas
Durante a reunião, o prefeito também destacou que obras de infraestrutura ajudaram a minimizar os efeitos das fortes chuvas registradas nos últimos dias. Conforme o Executivo, os tanques de contenção, conhecidos como "piscinões", contribuíram para reduzir alagamentos em diversos pontos da cidade. Outros sete reservatórios semelhantes estão previstos para serem construídos.
Adiló também ressaltou o trabalho realizado na manutenção da drenagem urbana, limpeza de bocas de lobo e investimentos do programa Canaliza Caxias. Nas últimas 48 horas, o município registrou 142 milímetros de chuva, volume que representa praticamente toda a média histórica prevista para o mês de julho, estimada em 158 milímetros.
Outro tema abordado foi a necessidade de avanço do projeto regional antigranizo, considerado uma das principais medidas para reduzir os prejuízos provocados por temporais, especialmente nas comunidades do interior.
Força-tarefa mobilizada
Desde o início das ocorrências, uma força-tarefa atua no atendimento à população e no levantamento dos prejuízos. Além da Defesa Civil, participam da operação equipes das secretarias municipais, Codeca, Samae, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Estadual, Polícia Federal, Exército, Cruz Vermelha, Ministério Público, Defesa Civil Estadual e representantes da Câmara de Vereadores.
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