Câmara de Caxias do Sul rejeita moção de apoio a impeachment de Eduardo Leite por voto de desempate
Proposta pelo vereador Hiago Morandi (PL) e apoiada por outros sete parlamentares, a moção 16/2025 teve apoio de parte da oposição, mas foi arquivada após decisão do presidente da Câmara, Lucas Caregnato (PT)
Na sessão ordinária desta terça-feira (1º), a Câmara de Vereadores de Caxias do Sul rejeitou, por 9 votos a 8, a moção 16/2025, que manifestava apoio a um pedido de impeachment contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). A decisão veio com o voto de desempate do presidente do Legislativo municipal, vereador Lucas Caregnato (PT), após empate na votação.
A moção foi idealizada pelo vereador Hiago Morandi (PL) e contou com o apoio de outros sete parlamentares da Casa: Alexandre Bortoluz (PP), Andressa Mallmann (PDT), Calebe Garbin (PP), Capitão Ramon (PL), Daiane Mello (PL), Pedro Rodrigues (PL) e Sandra Bonetto (NOVO). O documento se baseava em argumentos apresentados pelo deputado estadual Capitão Martim (REPUBLICANOS), que protocolou o pedido de abertura de processo de impedimento contra Leite na Assembleia Legislativa do RS.
Entre os principais pontos apontados por Morandi e seus colegas para justificar o apoio ao impeachment estavam alegações de gastos excessivos com publicidade institucional, uso de recursos públicos para autopromoção, desperdício de verbas e suposto engavetamento de planos preventivos contra desastres climáticos. Segundo os autores, os investimentos em publicidade oficial aumentaram 84% no início da gestão Leite, saltando de R$ 21,8 milhões em 2015, durante o governo Sartori, para R$ 40,2 milhões em 2019.
Outro alvo de críticas foi o documentário institucional “Todos Nós por Todos Nós”, produzido pela equipe de Comunicação do governo estadual e exibido entre 2024 e 2025. A produção retrata a atuação de Leite na reconstrução do estado após as enchentes e, segundo os críticos, funciona como peça de promoção pessoal. O custo da obra teria chegado a R$ 500 mil.
Críticas e defesa na tribuna
Durante a sessão, o debate ganhou contornos ideológicos e eleitorais. A vereadora Rose Frigeri (PT) reconheceu a ausência de planejamento preventivo para novas catástrofes, sobretudo no Vale do Taquari, mas argumentou que isso não configuraria crime de responsabilidade. Ela também questionou a flexibilização da legislação ambiental. No mesmo sentido, se posicionaram os vereadores Andressa Marques (PCdoB) e o próprio presidente da Casa, Lucas Caregnato (PT), que foi responsável pelo voto de desempate. Ambos destacaram que sem comprovação de crime, o processo de impeachment seria infundado.
Em contraponto, a vereadora Marisol Santos (PSDB) saiu em defesa do governador. Destacou que o governo estadual tem alcançado o maior índice de investimentos públicos dos últimos 25 anos, evidência, segundo ela, de responsabilidade fiscal e boa gestão. Já o vereador Elói Frizzo (PSB) avaliou que a moção teria sido motivada mais por interesses eleitorais antecipados do que por fundamentos jurídicos.
Desfecho político
Com a rejeição da moção, o Legislativo caxiense se descola da iniciativa de Capitão Martim na Assembleia Legislativa, pelo menos por ora. O placar apertado, no entanto, revelou a polarização política no município e sinaliza que as eleições de 2026 já começam a pautar o debate local.
O vereador Hiago Morandi lamentou o resultado e prometeu seguir atento às ações do governo estadual. "Há indícios claros de má gestão e autopromoção. Nossa obrigação é fiscalizar", afirmou após a votação.
Já o presidente Lucas Caregnato reiterou a necessidade de responsabilidade institucional. "Não se trata de defender ou atacar governo A ou B. Mas não podemos banalizar um instrumento como o impeachment", concluiu.
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