Economia de Caxias do Sul cresce 5,2% em junho, mas indústria recua e comércio registra queda nas vendas
Atividade econômica avançou no mês impulsionada pela indústria e pelos serviços, enquanto comércio caiu 1,1%. Primeiro semestre fecha com alta de 0,5%, e município registra saldo de 565 empregos formais e superávit de US$ 33 milhões na balança comercial.
A economia de Caxias do Sul apresentou crescimento de 5,2% em junho na comparação com maio, impulsionada principalmente pela recuperação da atividade industrial e pelo avanço dos serviços. O comércio, por outro lado, teve desempenho negativo no mês, com retração de aproximadamente 1,1%.
Os dados fazem parte do levantamento mensal de desempenho econômico elaborado pela Diretoria de Economia da CIC Caxias e pela CDL Caxias, divulgado nesta terça-feira (11), durante coletiva de imprensa realizada na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul.
Na comparação com junho de 2025, a atividade econômica do município cresceu 2,6%. O melhor desempenho foi registrado pelo setor de serviços, com alta de 6,9%, seguido pelo comércio, que avançou 2,2%, e pela indústria, com crescimento mais modesto, de 0,4%.
Apesar do resultado positivo de junho, o desempenho acumulado no primeiro semestre mostra um cenário mais desigual entre os setores. De janeiro a junho, a economia caxiense cresceu 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Serviços avançaram 9,3%, enquanto o comércio teve alta de 3,6%. Já a indústria, que representa a maior parcela da economia local, acumulou retração de 5,4%.
Considerando os últimos 12 meses, a economia do município ainda apresenta queda de 1,2%. O setor de serviços mantém crescimento de 9,2%, e o comércio acumula alta de 2,3%, mas a retração de 8% na indústria pesa sobre o resultado geral.
Entre os fatores que seguem pressionando a atividade estão os juros elevados, as incertezas econômicas e as tensões geopolíticas, que interferem nas decisões de investimento e na produção.
Para o diretor de Economia da CIC Caxias, Tarciano Mélo Cardoso, o crescimento registrado em junho precisa ser analisado em conjunto com os resultados acumulados em períodos maiores, principalmente pelo peso da indústria na economia local.
Segundo ele, o setor enfrenta dificuldades relacionadas aos custos logísticos da Serra Gaúcha, à pressão dos combustíveis sobre o frete, às oscilações cambiais e, principalmente, aos juros elevados. "São fatores que pesam sobre a indústria e, por consequência, acabam afetando os outros setores", avalia.
Cardoso destaca que os serviços vêm demonstrando maior resistência, mas alerta que uma queda mais forte da indústria também poderia atingir empresas que prestam serviços para o setor. Já o comércio, na avaliação do diretor, permanece praticamente estagnado.
Comércio recua em junho, mas mantém alta no ano
O Termômetro de Vendas da CDL Caxias mostra que as vendas do comércio caxiense caíram 1,07% em junho na comparação com maio.
Apesar da retração mensal, o setor apresentou crescimento de 2,23% em relação a junho de 2025 e alta de 2,26% no acumulado de 12 meses. No primeiro semestre de 2026, as vendas cresceram 3,61%.
Para o assessor de Economia e Estatística da CDL Caxias, Mosár Leandro Ness, a queda de junho já era esperada devido ao comportamento sazonal do comércio no período.
"Tradicionalmente, este mês apresenta desaceleração no comércio local. O resultado foi influenciado principalmente pelo ramo duro, que perdeu fôlego na comercialização de bens de maior valor agregado", explica.
Ramo duro e ramo mole têm queda
O ramo duro registrou retração de 0,36% entre maio e junho, mas ainda acumula crescimento de 10,98% em 2026.
Entre os segmentos que tiveram alta em junho estão:
- Informática e telefonia: +4,04%
- Material de construção: +3,26%
- Implementos agrícolas: +3,01%
- Eletrodomésticos, móveis e bazar: +2,06%
- Materiais elétricos: +1,82%
Na outra ponta, automóveis, caminhões e autopeças novos tiveram queda de 2,63%, enquanto ótica e joalheria recuaram 2,48%.
O ramo mole teve desempenho ainda mais negativo no mês, com retração de 2,69%. Mesmo assim, o segmento acumula alta de 1,72% no ano.
Entre os resultados positivos estiveram produtos químicos, com crescimento de 3,53%, e farmácias, que avançaram 1,21%. Já livrarias, papelarias e brinquedos recuaram 5,07%, enquanto vestuário, calçados e tecidos caíram 4,10%.
Crédito recua e inadimplência aumenta
O cenário do crédito continua mostrando retração. As consultas ao SPC Brasil caíram 3,29% em junho na comparação com maio e 18,47% em relação a junho de 2025. Entre os lojistas caxienses, as consultas recuaram 3,39%.
Ao mesmo tempo, houve aumento das inclusões de débitos. O crescimento foi de 35,96% na comparação mensal, embora tenha ocorrido queda de 2,21% em relação a junho do ano passado.
As exclusões de débitos diminuíram 5,89% frente a maio e 9,32% na comparação anual.
O estoque financeiro das dívidas aumentou 1,01% em junho, acumulando alta de 3,80% no ano e de 9,21% em 12 meses.
O número de consumidores inadimplentes também cresceu: 0,48% na comparação mensal e 8,70% em relação a junho de 2025.
Caxias gera 565 empregos formais em junho
O mercado de trabalho teve resultado positivo no mês. Caxias do Sul encerrou junho com saldo de 565 novos empregos formais, resultado de 8.298 admissões e 7.733 desligamentos.
Com isso, o município chegou a um estoque de 172.447 vínculos formais de trabalho, o maior registrado em Caxias do Sul desde 2015.
O setor de serviços foi o principal responsável pela abertura de vagas, com saldo positivo de 736 postos. A indústria teve saldo de 11 empregos, enquanto o comércio fechou 67 vagas.
A agropecuária perdeu 115 postos, e a construção civil terminou o mês com saldo zerado.
Exportações chegam a US$ 76 milhões
O comércio exterior também apresentou melhora em junho. As empresas de Caxias do Sul exportaram US$ 76 milhões e importaram US$ 43 milhões, gerando um superávit de US$ 33 milhões na balança comercial.
Na comparação com maio, as exportações cresceram 19,1%, enquanto as importações avançaram 12,4%.
No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas externas apresentam alta de 7,3%, enquanto as importações recuaram 8,8%. O saldo da balança comercial cresceu 42,2% no período.
A Argentina permanece como principal destino dos produtos caxienses em 2026, respondendo por 17% das exportações. Na sequência aparecem Chile (13%), Estados Unidos (12%) e México (11%).
Nas importações, a China tem participação predominante, sendo responsável por 47% dos produtos adquiridos no exterior.
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