Pesquisa apresentada durante a RA CIC, aponta que 67% dos jovens deixariam Caxias do Sul se pudessem
Levantamento com 1.044 jovens revela contraste entre o vínculo com a cidade, a confiança no futuro e o desafio de reter talentos
Dois em cada três jovens de Caxias do Sul deixariam a cidade se tivessem oportunidade. O dado faz parte da pesquisa O Futuro que Queremos, apresentada pelo gerente da Fundação Marcopolo, Luciano Balen, durante a RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do SUL (CIC Caxias) nesta segunda-feira (17). Realizado em 2025 com 1.044 jovens entre 15 e 29 anos, o levantamento revela um contraste: 81% acreditam na possibilidade de uma vida próspera no futuro e mais de 80% dizem gostar de Caxias, mas 67% afirmam que iriam embora se pudessem.
A pesquisa integra um programa da Fundação Marcopolo que busca estimular uma reflexão coletiva sobre o desenvolvimento da cidade. Além dos 1.044 participantes do levantamento, cerca de 300 jovens foram ouvidos em entrevistas audiovisuais realizadas pelos próprios alunos da Escola Marcopolo de Criatividade. O trabalho procura identificar sonhos, expectativas, hábitos e percepções da população jovem sobre Caxias do Sul.
Jovens querem continuar estudando
Entre os aspectos positivos identificados pelo levantamento está a relação dos jovens com a educação. Dos entrevistados, 93% estudam e 91% afirmam que gostariam de continuar estudando ao longo da vida. Para Balen, os números demonstram que a nova geração já percebe a necessidade de aprendizado permanente diante das transformações do mundo do trabalho.
O levantamento também mostra que 51% dos participantes já trabalham. Quando questionados sobre o setor em que gostariam de atuar daqui a dez anos, 52% apontaram serviços, 43% administração, 30% indústria e 12% comércio. Os resultados, segundo Balen, também devem servir de referência para empresas e instituições que discutem formação profissional e atração de mão de obra.
Sono, ansiedade e convivência entram no radar
Outros resultados mostram desafios relacionados à qualidade de vida. Quatro em cada dez jovens dormem menos de seis horas por dia. Entre os entrevistados, 38% disseram sentir ansiedade algumas vezes e 24%, na maior parte do tempo. Há ainda relatos de solidão mesmo na companhia de outras pessoas, tristeza e irritação frequentes. Para Balen, os indicadores precisam ser analisados em conjunto com os hábitos e as oportunidades oferecidas à juventude.
A convivência aparece, justamente, entre as principais preferências dessa geração. Conversar com amigos foi citado por 83% dos participantes, enquanto 50% gostam de passear pela cidade e 44% apontaram os esportes entre as atividades preferidas. Apesar disso, cerca de um terço não pratica esportes habitualmente e aproximadamente 40% não têm o costume de frequentar parques e praças.
A relação com a cultura e a leitura também integra o diagnóstico. A pesquisa mostra que 24% dos jovens não mantêm vida cultural ativa. Balen defendeu que a cidade amplie o repertório oferecido às novas gerações, valorizando desde a música e as tradições locais até bibliotecas, eventos, espaços esportivos e ambientes de convivência.
Cidade como espaço de oportunidades
Ao longo da palestra, Balen defendeu que o desenvolvimento de Caxias seja pensado para além da infraestrutura e da atividade econômica, incorporando qualidade dos espaços públicos, educação, cultura, esporte, convivência e oportunidades. Para ele, uma cidade capaz de atrair e reter talentos precisa ser também um lugar onde as pessoas queiram circular, encontrar-se e construir seus projetos de vida.
Nesse processo, ressaltou, a responsabilidade não deve ficar restrita ao poder público. Empresas, entidades, instituições de ensino, organizações sociais e cidadãos também precisam participar da construção de um projeto de longo prazo para o município.
Ao citar Medellín, na Colômbia, como referência, Balen destacou a transformação vivenciada pela cidade nas últimas décadas, associada a investimentos em educação, cultura, esporte, mobilidade, tecnologia, espaços públicos e governança. Segundo ele, a experiência demonstra a importância de construir um projeto coletivo e de longo prazo, com a participação do poder público, do setor empresarial e da sociedade. Ao concluir, reforçou que o desafio de manter as novas gerações em Caxias do Sul passa por tornar o município mais atraente para viver, estudar, trabalhar e conviver.
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