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Vestidos da corte da Festa da Uva 2026 unem memória, técnica e contemporaneidade em Caxias do Sul

por Alice Corrêa

Criações de Rico Bracco para rainha e princesas reinterpretam paisagem, trabalho e tradição do interior gaúcho em um sistema modular de uso múltiplo

Foto: Leandro Araújo

Apresentados neste domingo (30), os vestidos da rainha Elisa Pereira D’Mutti e das princesas Júlia Scopel e Letícia Comin da Silva, da Festa da Uva 2026, formam um projeto que aproxima memória e contemporaneidade ao traduzir, em tecido e construção, a jornada entre campo e cidade. Inspirado nas paisagens do interior — parreirais, caminhos tropeiros e rotina do trabalho no campo — o conjunto se completa na leitura urbana de uma Caxias do Sul que produz, resultando em uma identidade visual coesa para o trio.

Construção modular e materiais

Criado por Rico Bracco, o modelo é totalmente modular: as mesmas peças compõem tanto o traje de passeio quanto o de gala, ampliando possibilidades de uso sem perder unidade estética. O sistema reúne camisa de seda, camisa de linho, corset, gola, mangas plissadas removíveis, saia curta e uma saia interna adicional, que oferece volume cerimonial.
“Os trajes foram pensados em uma composição modular, no intuito de possibilitar diversas composições para as meninas, sendo o traje oficial também o traje de passeio”, explica o estilista.

Para conforto térmico, as camisas utilizam fibras naturais; nas saias, o uso da zibeline responde a exigências funcionais. “É uma fibra que não amassa, então isso facilita o cotidiano das meninas pós lavagem dessas peças”, afirma Bracco. O corset recebe barbatanas de aço trançado e amarração central nas costas, enquanto as mangas, em seda com plissado orgânico, têm comprimento médio para favorecer o movimento. Já a gola removível, em organza de seda, traz folhas de videira e pérolas de água doce bordadas à mão. Na barra das saias, o plissado em crepe com forro de broderie de algodão preserva a forma e facilita a higienização.

Códigos, símbolos e tradição

A paleta verde e bordô diferencia rainha e princesas sem quebrar o mesmo vocabulário visual. Faixas que marcam as saias e bordados de cachos de uva reforçam a continuidade simbólica. Um complemento em crochê de viscose sustenta franjas de movimento fluido, pensado para não enroscar durante o uso.

A sobreposição rosada remete à tradição dos parreirais protegidos pelas rosas — sentinelas naturais que anunciam pragas antes que atinjam as videiras. A fivela, desenvolvida pela Piteira Artigos de Montaria e Cutelaria, é produzida em alpaca com banho de ouro; no avental da rainha, pequenos anéis dourados evocam rédeas e caminhos tropeiros.

Na leitura de styling, a Comissão Social destaca o propósito central do projeto. “Um traje modular, versátil, que com certeza surpreenderá a todos e emocionará a todos com a sua beleza, com as suas cores, com cada detalhe pensado, remetendo à valorização da nossa história”, afirma Elisa Kuver.

Coroa e conjunto estético

A coroa de 2026, criada por Carlos Bacchi, completa a narrativa com design minimalista em metal com banho de ouro. Inspirada na geografia da Serra Gaúcha, nos parreirais e nas plantações, ela se integra ao traje como extensão simbólica do território representado pelas soberanas.

A 35ª edição da Festa Nacional da Uva ocorre de 19 de fevereiro a 8 de março de 2026, no Parque de Eventos da Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).

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