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IBGE divulga em julho pesquisa inédita sobre impactos das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

por Alice Corrêa

Levantamento ouviu mais de 30 mil domicílios de 133 municípios atingidos e pretende auxiliar no planejamento de ações diante de desastres climáticos

Locais alagados pela enchente no município de Eldorado do Sul
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) irá apresentar, no dia 1º de julho de 2026, os resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), o primeiro levantamento do órgão voltado exclusivamente a mensurar os impactos de um desastre climático a partir de informações fornecidas diretamente pelas famílias atingidas. A divulgação ocorrerá às 10h, em Brasília.

A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de traçar um panorama aprofundado das consequências das enchentes históricas que atingiram o território gaúcho em 2024, um dos maiores desastres climáticos já registrados no Estado. O estudo busca compreender os prejuízos enfrentados pelas famílias, as condições sociais e econômicas da população no período do evento, o nível de gravidade dos impactos e os tipos de apoio necessários e recebidos após a tragédia.

Além de registrar os efeitos imediatos das inundações, o levantamento também permitirá avaliar como as condições de vida das pessoas residentes nos municípios atingidos evoluíram cerca de um ano após a catástrofe, oferecendo informações que podem contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas de prevenção, resposta emergencial e reconstrução.

A PEERS é considerada uma pesquisa experimental e inédita no país. O levantamento foi lançado pelo IBGE em setembro de 2025, em Porto Alegre, e integra o conjunto de ações desenvolvidas pelo instituto dentro da força-tarefa coordenada pelo governo federal para apoiar a recuperação do Rio Grande do Sul após as enchentes. A metodologia também foi construída com base em referências internacionais utilizadas na avaliação de desastres e eventos climáticos extremos.

Segundo o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, pesquisas desse tipo são fundamentais para transformar os impactos causados por eventos extremos em informações capazes de orientar o planejamento público e evitar que tragédias semelhantes tenham consequências ainda mais severas no futuro.

O diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger, destaca que o avanço das mudanças climáticas exige que os órgãos de estatística desenvolvam novas ferramentas para medir os efeitos sociais e econômicos desses fenômenos. Conforme ele, a experiência da PEERS poderá servir como modelo para futuras pesquisas sobre desastres em outras regiões do Brasil.

O levantamento ouviu mais de 30 mil domicílios em 133 municípios gaúchos afetados pelas enchentes. A coleta de dados foi realizada integralmente por telefone, utilizando contatos cadastrados no Censo Demográfico de 2022. As entrevistas foram conduzidas por equipes do Centro de Entrevista Telefônica Assistida por Computador (CETAC), com procedimentos voltados à garantia do sigilo das informações e à padronização dos dados coletados.

Central de Conteúdo Unidade Tua Rádio São Francisco

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