Caxias do Sul inicia multiplicação de estratégias contra o trabalho escravo
Técnicos da rede socioassistencial começam a disseminar conhecimentos do projeto “Escravo, Nem Pensar!” para fortalecer identificação e acolhimento de vítimas na Serra
Com o objetivo de enfrentar o cenário crítico de exploração laboral que tem desafiado as autoridades na Serra Gaúcha, a Prefeitura de Caxias do Sul, via Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASC), deu um passo decisivo na última sexta-feira. Ocorreu o primeiro treinamento prático com os técnicos que atuarão como multiplicadores no combate ao trabalho análogo à escravidão.
As ações ocorreram em dois turnos: pela manhã, na sede administrativa da SMASC, e à tarde no Centro Pop Rua. O objetivo é criar um efeito pirâmide, onde os profissionais capacitados pelo Governo do Estado e pela OSC Repórter Brasil transmitem o conhecimento técnico para as demais equipes que atuam na ponta do serviço (CRAS, CREAS e Centro Pop), ampliando a vigilância em todo o território do município.
A iniciativa integra o projeto nacional "Escravo, Nem Pensar!", uma parceria entre o Governo do Estado – por meio das secretarias de Desenvolvimento Social (Sedes) e da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) - e organização da Repórter Brasil, com apoio da Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais (FETAR). Para Caxias do Sul, a participação é estratégica: o município é o polo receptor de muitas demandas da região e precisa de uma rede de proteção robusta para identificar o que, muitas vezes, passa invisível aos olhos da sociedade.
O programa estrutura o combate ao crime sob um tripé fundamental, essencial para a realidade socioeconômica de Caxias:
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Prevenção: Educação direta nas comunidades mais vulneráveis.
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Repressão: Fortalecimento dos canais de denúncia e apoio à fiscalização.
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Assistência: Garantia de que a vítima resgatada tenha acolhimento digno e não retorne ao ciclo de exploração por falta de amparo.
O trabalho de conscientização já vinha ganhando corpo através de canais digitais, como o podcast “Vozes do SUAS”, que dedicou episódios ao tema. Agora, com a fase presencial de multiplicação, o foco volta-se para a criação de protocolo de atendimento oficial. Este documento estabelecerá fluxos intermunicipais alinhados às diretrizes nacionais, garantindo que o trabalhador resgatado seja integrado à rede de proteção social de forma ágil.
A formação, que totaliza 30 horas divididas em módulos ao longo de 2026, também aborda temas contemporâneos como a relação entre o trabalho escravo e as mudanças climáticas, além de traçar um diagnóstico das atividades econômicas com maior incidência de crimes na região.
Para a administração municipal, a qualificação das equipes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é a chave para uma resposta eficaz. Ao preparar os técnicos para identificar sinais sutis de exploração análoga à escravidão, Caxias do Sul não apenas qualifica o encaminhamento das denúncias, mas assegura que o acolhimento humanizado seja a porta de saída definitiva para aqueles que tiveram seus direitos violados.
Com essa mobilização, o município reforça seu papel de liderança na Serra Gaúcha no combate às violações de direitos humanos, transformando o conhecimento técnico em ferramenta direta de liberdade e cidadania.
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