Indústria gaúcha projeta alta nos investimentos em 2025, com maior otimismo em cinco anos
Levantamento da FIERGS mostra que 75% das empresas planejam investir no próximo ano, impulsionadas pela inovação, valorização do capital humano e resiliência pós-enchentes
A indústria do Rio Grande do Sul dá sinais claros de retomada e otimismo. A Pesquisa de Investimento 2024-2025, divulgada nesta terça-feira (22) pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), revela que 75% das empresas do setor industrial – abrangendo os segmentos extrativo, transformação e construção – pretendem investir em 2025. O número é o mais alto dos últimos cinco anos e representa um salto de 13,7 pontos percentuais em relação à intenção captada na última edição do levantamento, realizada em dezembro de 2023.
O estudo, realizado entre 6 e 17 de janeiro de 2025, ouviu 171 empresas (41 pequenas, 59 médias e 71 grandes). Os resultados indicam que 74,3% das indústrias já conseguiram investir em 2024, mesmo diante das dificuldades enfrentadas, especialmente pelas consequências das fortes enchentes do ano passado.
Segundo o presidente da FIERGS, Claudio Bier, os números revelam a força do setor:
“Os resultados confirmam a resiliência do gaúcho, que apesar de todas as dificuldades provocadas pela tragédia das enchentes, consegue se reerguer. Muitas indústrias foram reconstruídas do zero, mas a disposição para investir se manteve e até cresceu.”
Entre os que planejam investir no próximo ano, 72,9% já estão com projetos em andamento, enquanto 27,1% devem iniciar os investimentos ainda em 2025. O foco principal permanece sendo o mercado interno, com investimentos bancados majoritariamente por recursos próprios — uma tendência consistente desde o início da série histórica, em 2010.
A melhoria do processo produtivo lidera como objetivo dos aportes, com 45,4% das empresas apontando essa prioridade — um aumento de 5,5 pontos em comparação ao levantamento anterior. Outras estratégias em destaque incluem inovação tecnológica e valorização do capital humano, que ganham cada vez mais espaço nas decisões empresariais.
Apesar do avanço nos índices, a pesquisa também apontou desafios. Em 2024, mais da metade das empresas não conseguiu concluir seus investimentos como planejado, e a incerteza econômica foi novamente citada como o maior obstáculo para novos aportes, mencionada por sete em cada dez empresas.
Ainda assim, o patamar atual de 75% de empresas investidoras retorna ao nível observado em 2022 e supera a média histórica da pesquisa (73%), consolidando o cenário como positivo para o setor industrial gaúcho e sinalizando um 2025 de continuidade no crescimento e fortalecimento das operações.
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