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Logística reversa de embalagens: palestra em Caxias do Sul destaca desafios e oportunidades da legislação ambiental

por Alice Corrêa

Marcos Oderich, fundador da Aslore, aborda a evolução da legislação e o papel das empresas no cumprimento das novas normas para gestão de resíduos sólidos.

Foto: Júlio Soares/Objetiva

Nesta segunda-feira (17), a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) foi palco de uma importante palestra sobre logística reversa de embalagens, proferida por Marcos Oderich, fundador e conselheiro da Associação de Logística Reversa de Embalagens (Aslore). O evento, realizado durante a tradicional reunião-almoço da CIC Caxias, reuniu empresários e profissionais do setor para discutir as crescentes exigências legais no Brasil em relação à gestão de resíduos sólidos e à economia circular.

Oderich, que também preside o Conselho de Administração da Conservas Oderich, enfatizou a obrigatoriedade legal imposta pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estabelece que as empresas sejam responsáveis pela destinação das embalagens que colocam no mercado. “A logística reversa de embalagens não é mais uma opção, é uma obrigação legal. As empresas devem garantir que as embalagens retornem ao setor produtivo ou tenham uma destinação ambientalmente adequada, evitando impactos negativos no meio ambiente”, explicou Oderich.

O empresário destacou a evolução da legislação com decretos recentes, como o Decreto 11.300/2022, que regulamenta as embalagens de vidro, e o Decreto 11.043/2022, que estipula metas de reciclagem para as próximas décadas. No Rio Grande do Sul, a Resolução Consema 500/2023 impôs regras específicas para a implementação da logística reversa no estado, com prazos para cadastramento e apresentação de planos de recuperação de embalagens.

A Aslore, criada em 2015, surge como uma solução coletiva para que as empresas possam cumprir essas exigências de forma eficiente e econômica. Com 150 empresas associadas, a entidade gerencia a recuperação das embalagens pós-consumo, e oferece aos associados apoio técnico, relatórios detalhados e certificação. O sistema coletivo funciona por meio da declaração do volume de embalagens comercializadas pelas empresas, o qual é auditado por um verificador independente, garantindo o cumprimento das metas estabelecidas.

Além do cumprimento das exigências legais, a Aslore se dedica a projetos de impacto social, como a parceria com cooperativas de catadores e o Espaço Socioambiental Tia Dina, que oferece atividades educativas para crianças de cooperados. Em Caxias do Sul, a Cooperativa Paz e Bem se destaca como um exemplo de sucesso, com investimentos em infraestrutura e equipamentos.

A palestra também abordou a importância do engajamento da população na separação adequada dos materiais recicláveis e na conscientização sobre a coleta seletiva. O presidente da CIC Caxias, Celestino Oscar Loro, comentou sobre a complexidade do cenário, apontando a diversidade de legislações estaduais como um desafio para empresas que atuam em várias regiões. “Além do compromisso das empresas, é crucial que a sociedade e o poder público se envolvam de forma ativa para garantir o sucesso dos sistemas de logística reversa”, concluiu Loro.

Ao final, Marcos Oderich alertou que as empresas que não se adaptarem à nova legislação podem enfrentar multas e penalizações. “A logística reversa é um caminho sem volta. Todos, independentemente do setor, precisam estar em conformidade com as normas, ou estarão sujeitos a consequências severas”, afirmou.

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