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Intolerância não!

Miguel Debiasi

Intolerância é uma atitude que demonstra falta de vontade e incapacidade de respeitar as diferenças. Atualmente encontra espaço fértil e avança a galope. Diante de incontáveis atos de intolerância é necessário promover um debate universal que defenda a virtude da tolerância em prol de uma sociedade menos sectária e fratricida.

A ideia de debate em defesa da tolerância vem de longos anos e há a certeza de que não se encerra em nosso tempo. Na história da civilização comunidades e pessoas abraçaram a causa da tolerância contrapondo-se às intolerâncias. Entre tantas personalidades destacam-se sujeitos como John Locke (1632-1704), filósofo do liberalismo inglês, autor de Epístola sobre a Tolerância(1689); François Marie Arouet, conhecido como Voltaire (1694-1778), escritor e filósofo iluminista francês que escreveu Tratado sobre a Tolerância (1763); Norberto Bobbio (1909-2004), filósofo, político, historiador, escritor, senador italiano defensor dos direitos; Karl Raimund Popper (1902-1994), filósofo austríaco naturalizado britânico, foi implacável defensor da democracia liberal e severo oponente dos sistemas totalitários. A lista dos defensores da tolerância é imensurável. Entre os mencionados não é exagero afirmar que Locke foi o maior deles. Suas ideias e escritos influenciaram atitudes religiosas, políticas, culturais e sociais, e também agregou seguidores em defesa da tolerância. Voltaire defendeu que devemos tolerar os intolerantes ainda que a intolerância cubra a terra de chacinas. Bobbio, em sua obra Era dos Direitos, diz que a tolerância não implica em renunciar à própria convicção firme, mas implica ter pura e simples opinião. Popper defendeu a tolerância absoluta como uma virtude. A atitude do respeito e da compreensão possibilita encerrar os fanatismos, o fundamentalismo, a violência, discriminação, exclusão e outras barbáries modernas.

Contudo, o espírito humano pode cometer excessos e atingir a liberdade com atos de intolerância. A cultura moderna pode repudiar atos como os mortos na Faixa de Gaza, do Afeganistão, do Iraque e os de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Muitos outros atos de perder a conta que atingem os direitos de cidadãos, povos e nações não cessam de espantar a consciência do respeito e liberdade. As intolerâncias modernas são como cabrestões reinantes baseadas no preconceito e nas formas de controle sociocultural como racismo, sexismo, antissemitismo, homofobia, heterossexismo, etaísmo, etc. Atualmente, considerando as intolerâncias alheias, é preciso prosseguir o debate sobre como superar nossa própria intolerância de nação que ainda manifesta muito ódio, antiautoridade, antipolítica, antiliberdade e muitos atos antiéticos.

 

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frade da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul. Mestre em Filosofia (Universidade do Vale dos Sinos – São Leopoldo/RS). Mestre em Teologia (Pontifícia Universidade Católica do RS - PUC/RS). Doutor em Teologia (Faculdades EST – São Leopoldo/RS).

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