Pensando Bem: o silêncio do crucificado
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Uma pequena ermida à beira da estrada estava sempre aberta e recebia muitos peregrinos. Diariamente um homem de Deus dirigiu-se ao local e ficava horas diante do Crucifixo. Um dia externou pedido estranho: Senhor, quero sofrer por vós, deixai-me ocupar o vosso lugar, substituir-vos na cruz. O crucificado concordou, mas impôs uma condição: aconteça o que acontecer, veja o que vires, guardarás silêncio. No mesmo instante, sem que ninguém soubesse, trocaram de lugar.
A rotina não se alterou no dia seguinte. Inicialmente entrou um rico, que, ao sair, esqueceu uma bolsa cheia de moedas de ouro. Logo depois, entrou um pobre que, após rezar, saiu levando bolsa. Porque ia viajar, um senhor entrou para uma breve oração. Ao sair encontrou o rico que o acusou de roubo e passou a agredi-lo. Neste momento, do alto da cruz, veio uma voz muito forte: pára! E censurou o rico pela sua injustiça. Foi a vez do Cristo pedir: desce da cruz, não soubeste guardar silêncio.
Nem sempre as coisas são como parecem, explicou o Cristo. O rico, com as moedas, ia trair a esposa, mas o pobre tinha necessidade para socorrer a esposa doente. As feridas do viajante teriam - no impedido de prosseguir seu caminho. Ele viajou e seu barco afundou, causando-lhe a morte.
Porque Deus não fala, porque Deus se cala diante das injustiças do mundo? O silêncio divino é feito de amor, de perdão, de novas oportunidades e de sabedoria. Em certa oportunidade, os apóstolos queriam que Ele mandasse fogo dos céus sobre seus adversários. E, mesmo no julgamento, diante de muitas acusações, “ Jesus, porém se calava” ( Mt,26,33) No alto da cruz, interrompeu seu silêncio para justificar, diante do Pai, seus algozes: “ eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34)
Deus tem paciências infinitas. Permite que o joio e o trigo cresçam lado a lado, permite que o pecador possa mudar. E, porque conhece tudo, pede para não julgar os irmão. É um gesto de amor e inteligência, porque quase nada sabemos dos irmãos e suas motivações. Mas Ele não quer nosso silêncio, quando feito de cumplicidade, com a opressão e a injustiça. O Livro Santo nos lembra que há tempos de calar e tempos de falar.
Frei Aldo Colombo
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