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O tão festejado PIB de 1,1%

Miguel Debiasi

 

Há quatro anos foi interrompido a governança petista. E, hoje, governo, empresários, a mídia do país comemora o Produto Interno Bruto de 1,1%. Festejar um não crescimento da economia do país leva-nos a suspeitar que algo está sendo escondido e manipulado da opinião pública. Os números comparados a outros resultados provam que o PIB de 1,1% não passa de uma falácia, de um discurso sofista das elites brasileiras. Ou seja, estão praticando fake News. Isto é, vendendo notícia falsa.

A título de comparação, em 2011, em plena crise do capitalismo e da economia mundial, primeiro ano do governo de Dilma Rousseff (PT), a imprensa lhe infernizava pelo “pibinho” de 2,7%. Quatro anos depois do golpe parlamentar acontecido em abril de 2016, a mídia celebra a expansão de 1,1% de Jair Bolsonaro. Ao comparar o crescimento do PIB entre Lula e Bolsonaro, o do trabalhador era 4,5 vezes maior que o pibinho do capitão. Ademais, o PIB obtido no governo do partido dos trabalhadores de Lula e Dilma é superior ao governo de FHC, Michel Temer e de Jair Bolsonaro juntos. No entanto, para esconder o fracasso econômico com o golpe parlamentar de 2016, governo, empresário, mídia culpam o Partido dos Trabalhadores, como forma de manipular a opinião pública.

Independente ao que diz o governo, grupo de empresários que dão suporte a política econômica de Paulo Guedes e a mídia corporativista, é preciso uma reflexão do baixo resultado do PIB do país. Para esta reflexão recorre-se aos entendidos em matéria de economia mundial. O professor de economia da Unicamp, Márcio Pochmann, diz que é preciso reconhecer que medidas neoliberais não alcançaram resultados prometidos. Devido ao fraco desempenho da economia o atual governo está torrando as reservas cambiais do Brasil que foram acumuladas pelos governos Lula e Dilma para conter alta do dólar e a recessão econômica. Ao recorrer esta medida o governo mostra-se incapaz de sair da recessão econômica e manifesta que sua gestão pública é capenga e incompetente.

O pífio 1,1% do PIB é resultado do acontecido nos últimos quatro anos. Há uma correlação entre o resultado da economia com as chamadas “reformas neoliberais”, a Trabalhista e da Previdência. As reformas tão esperadas pelo mercado mundial, pela política econômica liberal. Infelizmente, os números do período pós-reformas não desmentem do fracasso. Prova é que o trabalho informal avança para 41% da população ocupada; 61% da população considerada ativa vive da economia informal. Isto é, sem carteira assinada, carecendo de todos os direitos de proteção ao trabalhador e de condições de trabalho decente. A taxa de desemprego chega a 12% da população brasileira. Todos os números da economia, indústria, pecuária, comércio, mostram que as reformas ao invés de colocar o Brasil no chamado “trilho certo”, como diziam na cassação do governo petista, o conduziram para o mapa da fome, do subdesenvolvimento.

Ademais, historicamente, as políticas econômicas neoliberais, voltada para o mercado e os grandes grupos econômicos, tem levado à bancarrota a vida dos trabalhadores. Os especialistas em política econômica fazem a seguinte projeção do governo e do mercado liberal: “Se não houver uma mudança de rumos, a tendência é que o crescimento em 2020 seja ainda pior”. Os jornalista Marilu Cabanãs e Glauco Faria, do Jornal Brasil Atual, reforçam a visão dos economistas, dizendo “os resultados da atividade econômica do país no ano passado só não foram piores por conta de medidas heterodoxas, como da liberação das contas do FGTS”.

Em consequência do fracasso econômico, os economistas liberais dão suporte ao governo através das grandes empresas que divulgam fake news. Os números constatam quão é real esse falso discurso sobre os fatos. O falso discurso no Brasil em 2016 defendia que “as reformas e os cortes de gastos públicos levariam a uma retomada do setor privado e, portanto, o país voltaria a crescer”. Infelizmente, essas promessas não se realizaram em 2019. Em 2020, estamos com uma renda per capita 7,3% inferior àquela que os brasileiros tinham em 2014. Logo, ao trabalhador, desempregado, não há o que festejar no Brasil, muito menos aceitar um inverídico discurso de retomada da economia, enquanto todos os números mostram o contrário, uma total recessão. Assim fala os números, impossíveis de serem desmentidos.

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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