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Conversão ecológica global

Miguel Debiasi

 

A segunda reflexão motivada por ocasião do 5º ano da Encíclica Laudato Si’, mi’Signore – “Louvado Sejas, meu Senhor” do papa Francisco, busca indicar caminhos de uma conversão ecológica. Toda conversão para o projeto de Deus, hoje, vem acompanhada de atitudes de respeito a “casa comum”. Seguramente, a problemática ecológica está associada as crises sociais, econômicas, humanas e espirituais. Na paterna solicitude do pontífice pelo cuidado da “casa comum” toda humanidade é convidada a criar uma nova consciência ecológica, portanto, uma conversão planetária.

O apelo por uma vida ecológica integral é um debate antigo na Igreja. Na história da Igreja o problema ecológico não passou desapercebido. No final do século XX, em 1971, o beato Papa Paulo VI em sua Encíclica Pacem in terris, “Paz na terra”, apontava da problemática ecológica relacionada a atividade descontrolada do ser humano. A ação descontrolada do ser humano levaria a uma crise global e de consequências dramáticas para o mundo. Em 16 de novembro de 1970, na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o pontífice advertia: “por motivo de uma exploração inconsiderada da natureza, o ser humano começa a correr o risco de destruí-la e de vir a ser, também ele, vítima da degradação”. Na avaliação do pontífice, a natureza é vítima da ação exploratória humana e ao persistir tamanha brutalidade as consequência é do extermínio dos recursos naturais e de um desequilíbrio planetário.

Com o papa João Paulo II o interesse pela questão ecológica não foi diferente. Em sua primeira Encíclica Redemptor hominis – “Redentor do homem”, publicada em 4 de março de 1979, advertiu do uso incorreto do meio ambiente: “não se dar conta de outros significados do seu ambiente natural, para além daqueles que servem somente os fins de um uso ou consumo imediatos”. Assim, como Paulo VI João Paulo II sublinha da necessidade urgente de uma mudança radical das ações do ser humano, em 2001 convidou a humanidade para uma conversão ecológica global. Para haver uma conversão ecológica global é preciso que as invenções tecnológicas e os recursos científicos das ciências estejam a serviço de um desenvolvimento mais prodigioso. A destruição do meio ambiente, da natureza é ato que fere a fé e a moral cristã, visto que Deus confiou o mundo aos cuidados do ser humano (Gênesis 1,28-29).

O sucessor de João Paulo II, o papa Bento XVI, em 08 de janeiro de 2007, num pronunciamento ao Corpo Diplomático junto a Santa Sé, convocava as autoridades governamentais a uma tarefa: “eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito ao meio ambiente”. Na oportunidade, destacou as autoridades e ao mundo que o “livro da natureza é uno e indivisível”. Em 2009 pela Encíclica Caritas in veritate - “A caridade na verdade” reforçou sua reflexão na convicção que a “degradação da natureza está estritamente ligada à cultura que molda a convivência humana”. Dessa forma, Bento XVI propôs que a humanidade reconhecesse que agressão ao ambiente natural revela um comportamento repleto de chagas e de irresponsabilidades sociais, humanas, ecológicas, espirituais.

Logo, sobre esta questão a Igreja desenvolve no percurso da história da civilização uma rica reflexão teológica, em prol de uma consciência e de uma conversão espiritual ecológica a reverter o quadro de degradação do meio ambiente. A conversão espiritual ecológica é real quanto ao combate as agressões a mãe terra pelo descarte indevido de esgoto, poluição do ar, dos mares, oceanos, solos, rios e lagos causados pelo rejeitos de minérios de forma irregular, aquecimento global, desmatamento, queimadas, cortes ilegais de árvores, vazamento de petróleo e de outra atitudes errôneas. Historicamente, a Igreja na reflexão dos pontífices convocou os cristãos a suscitarem ações devidamente integradas com a natureza e com o meio ambiente. Agora, a reflexão do Papa Francisco suscita esperança de uma nova consciência cristã capaz de propor medidas de prevenção da “casa comum”, levando uma conversão de vida, portanto, ecológica global.

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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