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Operação “Entre Lobos” desarticula organização de estelionato contra idosos

por Julia Xavier

A estimativa é que mais de mil pessoas possam ter sido lesadas

Foto: Divulgação/ Gaeco

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em apoio à Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo, deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a operação “Entre Lobos”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável por um sofisticado esquema de estelionato contra idosos. Estão sendo cumpridos 13 mandados de prisão e 35 mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e Alagoas. A Justiça também determinou a apreensão de 25 veículos e o bloqueio de contas bancárias de até R$ 32 milhões.

As investigações apontam que o grupo criminoso agia de forma articulada e reiterada, utilizando empresas de fachada para adquirir direitos sobre créditos judiciais de idosos e aposentados. Por meio de promessas de revisão de contratos bancários, as vítimas eram levadas a assinar cessões de crédito por valores irrisórios, sem compreensão do real teor dos documentos. Em muitos casos, os pagamentos não correspondiam nem a 2% do valor judicial ao qual a vítima tinha direito. Uma das vítimas, por exemplo, deveria receber R$ 146 mil, mas recebeu apenas R$ 2.500.

Duas empresas de fachada — Ativa Precatórios, de Pinhalzinho (SC), e BrasilMais Precatórios, de Fortaleza (CE) — aparecem como beneficiárias diretas dos valores judiciais. Somadas, receberam mais de R$ 6 milhões liberados pela Justiça, mas repassaram menos de 10% desse total às vítimas. Planilhas obtidas durante a investigação revelaram a divisão interna dos lucros, repasses, comissões e despesas da organização criminosa, que também é investigada por lavagem de dinheiro e patrocínio infiel — quando advogados agem contra o interesse dos próprios clientes.

As investigações já identificaram pelo menos 215 vítimas, mas a estimativa é que mais de mil pessoas possam ter sido lesadas pelo esquema O Ministério Público orienta que vítimas que se identifiquem como lesadas procurem a Delegacia de Polícia mais próxima. A denúncia é fundamental para garantir o ressarcimento das vítimas e o desmantelamento completo da organização.

 

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