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Diretor Técnico do HCR tira dúvidas frequentes sobre coronavírus

por Ana Lúcia Jacomini

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Guilherme Garcia Vieira
Foto: Divulgação/HCR

Em meio a milhares de notícias verdadeiras e falsas que são transmitidas nos diversos meios de comunicação do mundo, jornais, revistas, rádios, canais de televisão e redes sociais, você sabe exatamente do que se trata o coronavírus? O Diretor Técnico do Hospital Cristo Redentor de Marau, cirurgião geral Dr. Guilherme Garcia Vieira, esclarece dúvidas frequentes que surgem da comunidade juntamente ao turbilhão de informações que chegam. Confira:

O que é o coronavírus?

O coronavírus é uma família de vírus que já era conhecida. O que estamos enfrentando agora é uma variação mutante do vírus que já existia (Sars-Cov1), que agora é o Sars-Cov2, . O vírus foi mapeado logo que descoberto na China, mas desde que foi feito este mapeamento genético ainda está se estudando para tentar desenvolver uma vacina, alguma forma de combater a pandemia. Os tratamentos, todos que estão sendo utilizados no momento são ainda para um número pequeno de pacientes.

Há algum medicamento indicado para combater?

De medicação específica ainda não tem recomendação de algo que seja oficialmente aceito no mundo todo. Desde a semana passada foram divulgados estudos sobre a cloroquina e outra medicação associada que é a azitromicina.  Esta primeira normalmente é usada para doenças reumatológicas e a variante dela usada para tratamento de malária, e a azitromicina é um tipo de antibiótico que apresenta também certa atividade anti-inflamatória e que também apresenta atividade antiviral em testes in vitro. Foi feito um estudo na Itália com resultados excelentes, o que chamou a atenção para estas duas medicações.  Atualmente os EUA divulgaram o início do uso para casos selecionados, e no Brasil, alguns hospitais já estão usando para pacientes em estado mais grave. Mas mesmo assim ainda é baseado mais num empirismo do que num estudo que tenha uma representatividade para definir com absoluta certeza que é o melhor tratamento.  Por enquanto são estas drogas que estão sendo usadas. Nos pacientes com menor gravidade, no momento não se usa nenhum tipo de medicação, apenas há recomendação do isolamento social e controle de sintomas.

De que formas o vírus age no ar?

Como é um vírus respiratório, para que haja a contaminação ele precisa ingressar em nosso trato respiratório para haver a contaminação.  Então quando a gente tosse, expelimos gotículas que podem sim ficar suspensas no ar, em média de 1 a 2 horas, especialmente em locais fechados.  Então num ambiente aberto onde há maior circulação de ar, as chances de contaminação são menores. Lembrando sempre a importância do distanciamento entre uma pessoa e outra e que podemos nos infectar ao levar as mãos contaminadas aos olhos, nariz e boca.

Em casos de baixa imunidade como proceder?

Pacientes que estão imunodeprimidos, que tenham alguma alteração do sistema imunológico, podem adquirir uma infecção com maior facilidade e maior gravidade.

Qual o tempo de permanência do vírus nas roupas, calçados, móveis, etc?

Teve recentemente algumas publicações que expuseram sobre o vírus em superfície. Então por exemplo, material como uma luva cirúrgica, seriam horas que poderia ficar. Já me materiais mais porosos, madeira por exemplo, o vírus poderia durar até quatro dias. Na roupa, como é um material poroso, às vezes sintético, esse tempo pode variar, dependendo do tempo em que o paciente ficou exposto, além de outros fatores como temperatura e umidade. Sabemos que o vírus a partir de 56 graus já não sobrevive. Clima seco e frio favorece o tempo de validade do vírus. Por exemplo, exposição a luz solar, ventilação, clima menos seco, favoreceria ao vírus não se desenvolver. Vale ressaltar que há muitas variantes para a permanência do vírus na superfície. Pode-se dizer que poderia sobreviver de um a quatro dias dependendo do material.

Portadores de talassemia estão no grupo de risco?

A talassemia é uma alteração da formação das hemácias ou dos glóbulos vermelhos. No entanto, todas as doenças crônicas tornam os pacientes de risco. Diabéticos, pacientes com doença pulmonar, doenças cardíacas ou múltiplas doenças crônicas por exemplo; todos são mais suscetíveis a desenvolver uma doença mais grave relacionada ao vírus. Quando este fator da doença crônica está relacionado ao fator da idade avançada, o risco aumenta ainda mais.

Compartilhar a mesma cuia e a bomba do chimarrão é um risco de transmissão?

A recomendação é que não haja este tipo de compartilhamento, pois é uma via direta de troca de secreção respiratória. Então levando em conta que não se sabe quem poderia estar infectado, porque existe um grande número de assintomáticos, recomenda-se evitar.

Ultimamente muito tem se falado sobre o uso de álcool gel e na higienização das mãos. Fala-se inclusive que lavar as mãos pode ser mais eficaz que o uso do álcool gel. Esta informação procede?

O álcool gel tem sua função antisséptica, mas é indicado para pessoas que não tem acesso imediato a lavagem das mãos. Mas a lavagem correta das mãos com água e sabão, é suficiente sim.  Ambas as medidas são eficazes, lembrando que uma não substitui a outra.

Qual sua opinião sobre o isolamento social?

A quarentena quando ocorreu aqui, foi baseada no que os outros países tomaram como medida para frear o contágio da doença. Por que a principal questão deste vírus não é a gravidade do que causa, mas sim sua transmissibilidade elevada. Então a porcentagem de casos graves que agora é pequena, se tornaria um número muito grande. Por isso, as medidas de isolamento elas funcionam sim. Não sabemos a longo prazo a repercussão na transmissão do vírus, mas a curto prazo é a forma que temos que se mostra mais eficiente quanto a transmissibilidade e para que possamos atender com qualidade no SUS, os casos graves.

Com a chegada do inverno o vírus se tornaria mais letal?

O que preocupa mais com a chegada do inverno, é o aumento da proximidade entre as pessoas e a tendência delas ficarem em ambientes mais fechados, além da incidência das outras doenças que aumentam no clima frio.

Quem passou recentemente por procedimento cirúrgico se enquadra em grupos de risco?

Depende do tamanho da cirurgia. Por exemplo um paciente que fez uma grande cirurgia abdominal, e está em fase de recuperação, se ele adquirir qualquer doença neste período poderá cursar com maior gravidade.

 Quais os cuidados que as pessoas devem ter ao entrar em ambiente domiciliar?

A recomendação é ter junto a entrada da casa um local para deixar as roupas que não poderão ser lavadas na hora, ou lavá-las sem sacudir ou agitar. A higienização das roupas sim é essencial, assim como calçados e objetos pessoais. Outra recomendação importante é não usar dentro de casa o calçado usado na rua.

O que diferencia os sintomas do coronavírus com sintomas gripais como do H1N1 ?

Pode haver apresentações semelhantes. A triagem hoje é feita para Síndrome Respiratória Aguda Grave. Devido à situação de transmissão comunitária agora se tria desta maneira. Para se pensar mais no coronavírus, pode-se levar em conta que há o início súbito com febre e está associado a tosse, dor de garganta, dores pelo corpo, dor de cabeça, entre outros.  Deve-se observar que em média o paciente pode permanecer assintomático por 5 dias.

Como é feito o teste para identificação do vírus no organismo?

Hoje está disponível para nós, o PCR, que é feito através de Swab, uma coleta das mucosas nasal e oral. Até o momento não há previsão de chegada de testes rápidos e o tempo de resultado para o PCR pode variar de 48h até 8 dias, já que há aumento considerável da demanda pelo exame.

 

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