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Relacionista internacional analisa desdobramentos de ação dos Estados Unidos na Venezuela

Baixar Áudio por João Pedro Varal Tartari

Elizabeth Fernanda Ortiz conversou com a Tua Rádio Alvorada

Foto: Gabriel Grando/Tua Rádio Alvorada

Após a prisão do, então, presidente venezuelano Nicolás Maduro na madrugada de sábado, 03/01, a Tua Rádio Alvorada buscou a relacionista internacional Elizabeth Fernanda Ortiz. Imigrante argentina residente em Marau, ela analisou as possibilidades geopolíticas na relação entre Estados Unidos e Venezuela, bem como com outros países latino-americanos. 

“O discurso dos Estados Unidos segue uma linha neoliberal”, afirmou Fernanda. “O que procura o neoliberal? Ganhos absolutos. Eu ganho, você ganha. Eu procuro uma democracia dentro do teu país, quero que seu país seja livre, seja democrático. Que vocês tenham ganhos, progresso econômico.” 

Sob essa ótica, o governo estadunidense buscaria um progresso econômico e político mútuo. “Os Estados Unidos viram que no governo de Maduro teve muitos direitos humanos aí que foram quebrados, então, por isso, fazem a intervenção. Mas isso, no princípio, mais para trás a gente pode ver. Isso é uma Teoria Neoliberal.” 

A relacionista expande a análise, ainda, sob a ótica da Teoria Realista. “Então, quais que são os recursos naturais que tem a Venezuela? Não só os recursos, por exemplo, do petróleo e os minerais, senão que, também, a Venezuela está muito bem posicionada dentro do nosso continente.” 

Nessa visão os Estados Unidos se beneficiaria de forma estratégica da posição da Venezuela na América do Sul. “Tem a porta também para a Colômbia, por exemplo, que também está relacionada à causa do narcotráfico”, comentou a relacionista. “Também tem as relações com o Brasil. Vamos entender que o Lula era bem amigo do Maduro, mas Lula, também, no último tempo, tirou a mão do Maduro.” 

Em entrevista à emissora, Fernanda aprofundou a posição do Brasil na geopolítica. “Ao mesmo tempo, a gente tem que entender que agora na ONU, o Lula disse que, por favor, olhem para esse assunto, porque estão também corrompendo os direitos do Estado.” 

A disputa pela faixa presidencial 

Ainda no sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o processo de transição seria realizado pelo governo dos EUA. Imigrantes venezuelanos em Marau comentavam a torcida para que a líder da oposição a Maduro, María Corina Machado, fosse dirigida à presidência do país. 

Corina Machado pleiteava disputar as eleições venezuelanas em 2024, mas foi proibida de ocupar cargos públicos pela Controladoria-Geral do país, passando a apoiar Edmundo González Urrutia. Em contagens extraoficiais, Gonzáles teria sido eleito, derrotando Maduro — resultado que não foi reconhecido pela justiça eleitoral venezuelana, que não chegou a divulgar atas oficiais da eleição. 

Após negociações entre Venezuela e Estados Unidos, a então vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez foi conduzida a governante em exercício do país. “Por que ele não colocou, por exemplo, Corina Machado? Ou por que ele não colocou Edmundo? Essa é uma pergunta muito importante também para nós.” 

Para Fernanda, há uma motivação ainda não evidente nessa decisão de Trump. “Aqui também tem um interesse, com certeza. Mas a gente vai ter que deixar passar os dias para saber qual que é. Talvez seja que Rodríguez seja mais fácil de manipular que a Corina Machado. [...] Ou, talvez, eles estão deixando um processo para que a transição não seja violenta, seja mais tranquila, mais calma.” 

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