Tragédia da boate Kiss completa cinco anos no próximo sábado
Ainda não há punidos e familiares das vítimas aguardam decisão da Justiça
Passados cinco anos, a tragédia da boate Kiss ainda repercute e comove pessoas do mundo inteiro. O incêndio que atingiu a danceteria na madrugada de 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, tirou a vida de 242 jovens e deixou 636 feridos. Os empresários Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, donos da boate Kiss e os músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentavam na noite do incêndio foram acusados por homicídio doloso. Até agora não houve nenhuma sentença decretada pela justiça; os réus cumpriram uma prisão preventiva, mas foram liberados.
Em dezembro do ano passado, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu que os quatro réus não serão julgados por um júri popular. Dessa forma, o caso será julgado por um juiz criminal de Santa Maria, sem a participação de jurados. O 1º Grupo Criminal reverteu a decisão tomada em audiência na COMARCA de Santa Maria, que encaminhou o julgamento para o Tribunal do Júri. O advogado Ricardo Breier, presidente da OAB-RS, que está atuando no caso e, junto a outros advogados, representando a associação dos pais das vítimas, afirmou que entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, para reverter a decisão do TJ-RS.
Segundo Breier, não faltam provas de que a tragédia ocorreu devido à estrutura inadequada da boate, à superlotação, à irresponsabilidade dos proprietários e dos integrantes do grupo musical. “Basta ver a grande arapuca, no ditado popular, das circunstâncias que os jovens estavam. Em virtude da conquista do dinheiro, de ter uma casa cheia e cobrar, não ter os limites mínimos de segurança, infelizmente levaram a essa tragédia”, lamentou. De acordo com Breier, os familiares das vítimas estão desesperançosos, não acreditando no sistema como um todo para que se apure a responsabilidade e para que os culpados sejam punidos. “Não há nenhuma sentença criminal desse episódio, mas estamos em franca batalha jurídica e o objetivo é levar (o julgamento) ao júri”, concluiu.
Em entrevista ao programa Temática desta quinta, 25-01, o advogado Ricardo Breier forneceu informações sobre o andamento do processo do julgamento dos acusados pela tragédia da boate Kiss. Confira o áudio na íntegra.
Comentários