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Maioria dos jovens gaúchos quer começar a carreira com carteira assinada, aponta pesquisa

por Alessandra Bernardi

Pesquisa do CIEE-RS mostra que 51,8% dos que buscam a primeira oportunidade preferem vínculo formal pela CLT

Foto: Bruno Peres | Agência Brasil

Apesar de o emprego formal ter se tornado alvo frequente de memes e críticas nas redes sociais, a carteira assinada segue como objetivo para muitos jovens no Rio Grande do Sul. É o que mostra uma pesquisa do CIEE-RS sobre as tendências da juventude para o mercado de trabalho em 2026.

O levantamento ouviu 558 pessoas de diferentes regiões do Estado, entre estagiários, aprendizes, jovens em busca da primeira oportunidade e representantes de empresas. Com nível de confiança de 95% e margem de erro de 4%, o estudo aponta que, entre os jovens que ainda procuram ingressar no mercado (27% dos entrevistados), 51,8% desejam iniciar a trajetória profissional sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Segurança, estabilidade e reconhecimento aparecem como os principais fatores que influenciam essa escolha. O dado contrasta com parte do discurso recente nas redes sociais, que associa o trabalho com carteira assinada a menor autonomia ou remuneração limitada.

Entre estagiários e aprendizes, 38% afirmam esperar efetivação nas empresas onde atuam. Nesse grupo, a expectativa está ligada à possibilidade de crescimento interno, desenvolvimento contínuo e maior clareza sobre a trajetória profissional.

Para o CEO do CIEE-RS, Lucas Baldisserotto, o resultado indica que, mesmo diante da flexibilização das relações de trabalho, o vínculo formal ainda é visto como porta de entrada segura para a vida profissional. Segundo ele, a formalização oferece previsibilidade e contribui para o planejamento de médio e longo prazo.

O estudo também investigou as percepções sobre modelos de trabalho. Para 51,3% dos respondentes, o formato presencial deve ser o mais adotado em 2026. Já os modelos flexível (22,08%) e híbrido (19,39%) somam pouco mais de 41% das respostas, enquanto apenas 7,2% acreditam que o home office será predominante.

A preferência varia conforme o momento da carreira. Jovens de 16 a 24 anos, especialmente estagiários e aprendizes, tendem a valorizar mais o trabalho presencial. À medida que avançam na trajetória profissional, cresce o interesse por formatos híbridos ou flexíveis.

A avaliação é que, no início da carreira, o contato direto com colegas e lideranças, o aprendizado prático e a vivência cotidiana do ambiente corporativo são vistos como fundamentais para a formação profissional. A flexibilidade, por outro lado, passa a ser percebida como uma conquista associada à experiência e à consolidação do vínculo com a organização.

Os dados sugerem um descompasso entre parte do debate público sobre o “futuro do trabalho”  frequentemente centrado em autonomia e descentralização, e as expectativas de parcela significativa da juventude. Para muitos jovens gaúchos, especialmente os que buscam a primeira oportunidade, estabilidade e presença física ainda têm peso decisivo.

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