Dados apontam mudanças nos padrões de fecundidade e destaca os principais fluxos migratórios no RS
Informações foram divulgadas pelo governo do estado
Foto: Reprodução/Canva
O Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), divulgou o Cadernos RS no Censo 2022: Migração e Fecundidade, com dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo apresenta um panorama dos movimentos populacionais e da fecundidade no Rio Grande do Sul, destacando os principais fluxos migratórios e a consolidação de um padrão de maternidade em idades mais elevadas.
A análise, elaborada pelos pesquisadores Marilene Bandeira e Pedro Zuanazzi, aponta que entre 2017 e 2022, o Rio Grande do Sul registrou 134,7 mil imigrantes e 212.517 emigrantes, resultando em um saldo migratório de -77,8 mil pessoas no período. A taxa líquida de migração, de -0,72%, reflete uma leve perda populacional decorrente do deslocamento de residentes para outros Estados. Esse saldo migratório negativo decorre, principalmente, da baixa entrada de novos residentes (o Estado possui a 4ª menor taxa líquida de imigração) e não por uma saída acentuada de pessoas, uma vez que o RS possui a 5ª menor taxa de emigração.
O principal destino dos gaúchos foi Santa Catarina, que concentra 48,5% dos naturais do RS que residem fora do Estado e para onde foram 63,5% dos emigrantes que deixaram o RS entre 2017 e 2022 (134,9 mil pessoas). Em contrapartida, 34,9% dos residentes não naturais do RS são nascidos em SC, sendo que 37,2 mil pessoas vieram do Estado vizinho nos últimos cinco anos. O estudo também aponta o Pará como o Estado com o qual o RS tem o saldo mais positivo, com 4,5 mil pessoas a mais migrando para o território gaúcho do que no sentido inverso.
Fecundidade: número médio de filhos segue abaixo da taxa de reposição
A Taxa de Fecundidade Total (TFT) do Rio Grande do Sul foi de 1,44 filho por mulher, abaixo da taxa de reposição populacional (2,1). A TFT mostra, em média, quantos filhos cada mulher teria ao longo da vida se as condições atuais de nascimento se mantivessem. Todos os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) do Estado apresentaram índices inferiores a esse patamar, com variação entre 1,26 e 1,88 filhos por mulher.
O Corede Produção acompanha a tendência estadual. A taxa média de fecundidade da região está entre 1,41 e 1,60 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional, de 2,1 filhos. A idade média das mães no nascimento dos filhos é de 29,4 anos, uma das mais elevadas entre os Coredes, o que confirma a postergação da maternidade.
O estudo aponta ainda que entre 12% e 14% das mulheres de 50 a 59 anos não tiveram filhos, índice ligeiramente inferior à média estadual, de 14,3%. Os dados reforçam o envelhecimento gradual da população e a mudança nos padrões de fecundidade, com destaque para a queda na taxa de natalidade e o adiamento da maternidade nas regiões de maior urbanização e desenvolvimento econômico, como o Corede Produção.
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