Trump anuncia tarifas de 10% para produtos importados do Brasil
Após o anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou a Lei da Reciprocidade Comercial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 02/04, que o país passará a cobrar 10% de todas as importações do Brasil, como parte do decreto que estabelece tarifas recíprocas aos parceiros comerciais dos EUA.
O republicano detalhou as demais tarifas que serão cobradas dos países que taxam produtos norte-americanos. Segundo ele, as tarifas recíprocas serão ao menos metade da alíquota cobrada pelos outros países, sendo a taxa mínima de 10%.
As tarifas serão aplicadas a partir de 5 de abril. Já as tarifas recíprocas individualizadas, mais altas, serão impostas aos países com os maiores déficits comerciais com os EUA a partir do dia 9. "Isso será para ajudar a reconstruir nossa economia e evitar a trapaça", "as nações estrangeiras finalmente serão convidadas a pagar pelo privilégio de acesso ao nosso mercado, o maior mercado do mundo." afirmou Trump.
Impactos no Brasil:
No caso do Brasil, a tarifa base para todos os produtos é de 10%. Já o aço e o alumínio, que têm taxas próprias já anunciadas, seguem com 25% de taxa.
Dentre os 10 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria Exterior, estão óleos brutos de petróleo, ferro, aço, café em grão, pastas químicas de madeira, ferro fundido bruto, aeronaves e veículos aéreos, gasolina, carnes bovinas congeladas e produtos semimanufaturados de ligas de aço.
Lei da Reciprocidade Comercial:
Após o anúncio de Trump, a Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira, 02/04, o Projeto de Lei 2.088/2023, que cria a Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global. Agora, o texto segue para sanção presidencial.
O governo brasileiro não descarta a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio contra o tarifaço, informaram os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No entanto, a prioridade neste momento é negociar a reversão das medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos.
Avaliação da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Claudio Bier, se pronunciou sobre o ocorrido na noite desta quarta-feira. “As informações ainda são muito iniciais, estamos procurando medir as consequências, mas é certo que este novo cenário nos obriga a superar os desafios e explorar as oportunidades que surgem, como do Mercosul com a União Europeia ou da ampliação da parceria com a China”, pondera Bier.
Na semana passada, as Federações das Indústrias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná já solicitaram ao governo federal uma atenção especial nas negociações sobre as taxas impostas pelos Estados Unidos para produtos de base florestal. Agora, a preocupação se amplia com o aumento de sobretaxas a outros setores.
Para o presidente da FIERGS, um dos efeitos imediatos da decisão de Trump para o Brasil e o Rio Grande do Sul pode ser a redução no volume de exportações para os EUA, especialmente em setores integrados à indústria norte-americana.
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