Artista visual marauense, Talles Lisot lança sua primeira coleção
Baixar Áudio“Onírico” mistura aspectos surrealistas e expressionistas em uma obra única
O artista visual Talles Henrique Lisot lançou, recentemente, sua primeira coleção de quadros. É “Onírico”, série com sete obras e uma temática central: o sonho. A coletânea inclui os quadros “Reminiscência”, “(Des)construção”, “Lebre e sua improvável ampulheta da sorte”, “Azul decomposto”, “Presente do último sonho”, “Onírico”, além de uma obra sem título.
“Todos os trabalhos possuem um título que faz referência ao próprio sonho e principalmente as características mais marcantes”, explicou o artista ao Página Rosa, em primeira mão. “Por exemplo, a tela ‘Azul decomposto’ vem de um sonho em que a cor azul se desintegrava do espaço. A tela possui essa característica e, junto dela, vários outros elementos que fizeram parte do sonho e que de alguma maneira influenciaram os meus dias produzindo.”
“Onírico” ainda não tem uma exposição prevista para ocorrer. Ainda assim, é possível, contudo, acompanhar as obras online. “Todos os trabalhos eles estão disponíveis no link da bio do meu Instagram, que é @tallesjpg. É só acessar lá e é possível visualizar esses trabalhos. Tem informações sobre as técnicas, sobre os materiais, as dimensões e uma breve introdução do que o ‘Onírico’ simboliza.”
Aprisionando o tempo
A série nasce dessa escolha pelo surreal, principalmente, a partir da obra “Remanescência”. “Foi justamente nessa tela onde o ‘Onírico’ surgiu”, explica Talles. “A ampulheta foi posta no inferior da tela e uma vela no superior. É totalmente simbólico de um aprisionamento do tempo. Conforme a vela queima, a cera aprisiona o tempo.”
Ele descreve as influências do quadro como temática da série de obras. “O restante da série surge dessa simbologia. De alguma forma, o tempo dos sonhos passou, mas ele fica preso na nossa cabeça.”
As artes incluem uma diversidade expressiva de técnicas. “Tem trabalhos que foi utilizado vidro, cera de vela e outros elementos, como fotografia e objetos simbólicos”, conta Talles. “Tem trabalhos com tinta a óleo, carvão em diversas superfícies, seja papel, tecido, papelão ou até mesmo a própria tela.”
Entre o surreal e o expressionista
Vale sempre a contextualização de que o sonho, enquanto elemento central da produção artística, vai ser a principal veia temática do Surrealismo. O movimento de vanguarda nasceu em 1920, em Paris, muito influenciado pelo surgimento da Psicanálise.
Nos trabalhos do Talles, contudo, a forte presença de uma figura específica — caso, nessa coleção, da lebre — lembra muito um outro movimento de vanguarda: o expressionismo. O movimento é caracterizado pela busca de expressar emoções subjetivas, estando ligado ao abstrato muitas das vezes.
Contudo, linhas desse tipo de arte como a do “Cavalo azul” de Franz Marc traziam um animal (o cavalo pintado de azul) sempre como um ponto de criação de significados. Essa, claro, não é a única ideia que aparece na coleção do Talles.
“A proposta dessas produções é utilizar o imaginário mesmo”, afirma o artista. “O ‘Onírico’ transita nesse território onde a gente está despertando, mas, ao mesmo tempo, a gente ainda não acordou e os sonhos ainda estão acontecendo. É um território onde parece que tudo ainda é possível. O ‘Onírico’ brinca com esse território, ele busca criar reflexões sobre isso.”
A ideia é dar vazão a esses pensamentos para poder criar outras possibilidades artísticas. “Imagino que todo mundo já teve alguma experiência de um sonho que ficou assim muito marcado durante o dia e tudo mais. Geralmente, esses sonhos que ficam marcados, eles só se marcam porque a gente teve esse instante onde tudo pareceu possível, mas ao mesmo tempo a gente estava sendo puxado para o mundo real.”
Entre o real e o imaginário
O conceito entre o real e o imaginário é central para entender a série — até porque o artista constrói toda uma narrativa com base nesses aspectos. “A principal característica que eu quis deixar nos trabalhos foi ter um aspecto muito ilusório de que, talvez, esteja inacabado ou pouco visíveis os elementos”, explica Talles.
A ideia é construir esse espaço entre. “Fazer referência também àquele instante do despertar, onde tudo está muito confuso, tudo está muito embaçado ainda”, conta. “Eu digo que foi um trabalho muito experimental, mas que me abriu vários campos possíveis de explorar.”
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