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Marau recebe mostra fotográfica sobre religiões de matriz africana no RS

por João Pedro Varal Tartari

Exposição “Memória, Orgulho e Identidade” segue em Marau até 12/08

Foto: Reprodução/Skopo Media

Inaugurou nessa sexta-feira, 18/07, a exposição “Memória, Orgulho e Identidade” no Centro Cultural José João Santin. São pelo menos 30 registros do fotógrafo e documentarista visual passofundense  Diogo Zanatta. A temática central é colocar os espaços de culto de religião de matriz africana nos holofotes. 

A proposta é idealizada pela Produtora Cultural Skopo Media, usando recursos da Lei Aldir Blanc. “Ele é um projeto cultural que nasce do desejo de promover visibilidade e respeito às religiões de matriz africana presentes no interior do Rio Grande do Sul”, explicou um dos produtores, Anthony Buqui.  

“É um projeto que é mais de celebração sobre toda essa cultura que a gente quis mostrar”, contou Anthony ao Página Rosa. “A gente buscou retratar nessa mostra as religiões de matriz africana. Então, a gente pegou Candomblé, a gente pegou Umbanda, a gente pegou Batuque – é uma religião que surgiu aqui no Rio Grande do Sul e está em extinção, digamos assim.” 

Quem assina as imagens é o fotógrafo passofundense e documentarista visual Diogo Zanatta, que também conversou com o Página Rosa. “É um projeto tão importante para a cidade, para a região, para o estado e para o país que é retratar esses povos de terreiro e as religiões de matriz africana”, reforçou. 

Uma primeira exibição já foi realizada em Passo Fundo, no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS). Aqui em Marau, as fotos ficam no Centro Cultural José João Santin até 12/08. A mostra ainda passa por outras três cidades gaúchas – Erechim, Carazinho e Palmeira das Missões. 

Mais de 6 mil fotos 

Ao todo, a equipe do projeto visitou seis diferentes espaços de cultivo das religiões de matriz africana, em Passo Fundo e Carazinho, em um mês de visitas. Segundo Diogo, foram pelo menos mil fotos em cada um desses lugares – mais de 6 mil registros ao todo. 

“Uma experiência muito grande de estar presente”, afirmou Diogo. “A gente teve um contato muito antes, em reuniões periódicas para mapear os lugares. É um pequeno recorte que, no caso, a gente fez. Obviamente, a gente queria ter participado de muitas outras casas, mas não tinha, ainda, uma estrutura tão grande para compor tudo.” 

O fotógrafo ainda contou alguns detalhes sobre seu processo de captura das imagens. “Eu tenho um jeito de fotografar que, também, eu não vou com muita expectativa até para eu chegar lá, por exemplo, imaginar alguma situação e acabar me frustrando por algo que eu quero – não culpa de quem eu vou retratar, mas da minha personalidade para retratar.” 

E, especificamente, os registros para a exposição. “É tentar ao máximo possível trazer a verdade do que está acontecendo. Tem muita dança no lugar, tem muito movimento, tem muito barulho. Mesmo não conseguindo, ainda, mostrar o barulho na foto, tem imagens em que a pessoa vai conseguir ver o movimento e sentir que ali naquela foto tem um barulho, tem um batuqu, tem alguém em movimento, tem alguém com vestido.” 

Para ele, uma oportunidade de documentar mais uma realidade de Marau. “Eu já tinha uma vontade muito grande de estar documentando as religiões afro. E, quando veio o convite do pessoal da Skopo, assim, eu já aceitei, de olho fechado.” 

“Eu não sou o adepto”, comentou à coluna de cultura. “Tenho muitos amigos que são de religiões de matriz africana, e estudar um pouco o que a gente está fotografando é muito importante para a gente conseguir chegar no resultado em que a gente conseguiu chegar” 

Um glossário de desmistificação 

Além das fotografias, também integram o projeto o site https://memoriaorgulhoidentidade.com/, bem como um livreto com informações sobre termos e histórias das diferentes religiões de matriz africana. A obra é distribuída gratuitamente durante a visitação no Centro Cultural José João Santin. 

“A gente fez um livreto para acompanhar a exposição”, explicou Anthony. “Então, o pessoal vai lá, visita a exposição, retira um livreto com todo um conteúdo voltado para a gente desmistificar alguns conceitos e algumas palavras que a gente ouve por aí e que, muitas vezes, estão carregadas de preconceito.”

Ainda segundo o jornalista, foi desenvolvido todo um estudo pelos historiadores do projeto. “A gente selecionou toda essa pesquisa para a construção do site. Então a gente tem o site oficial e lá tem todo o nosso trabalho, tanto de pesquisa, os conteúdos de acessibilidade e todo o cronograma da exposição.” 

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