Douglas Carraro apresenta evento de moda de viola
Baixar ÁudioMomento ocorre na Casa da Cultura, nesta quinta-feira, 10/07
Nesta quinta-feira, 10/07, está marcada a sessão única de um evento focado na moda de viola e no sertanejo raiz. “Minha Alma Caipira, Meu Jeitão de Caboclo”, idealizado e organizado pelo musicista Douglas Carraro, acontece na Casa da Cultura de Marau, a partir das 20h em ponto. São sete músicos no palco apresentando clássicos do gênero.
“É um evento que a gente apresentou, a primeira vez, em 2019”, conta Douglas. “Deu muito certo, mas como dá muito trabalho, a gente espera [risos]... Esperou um tempo e, este ano, graças a Deus, o meu sócio, compadre, irmão Wilson Lopes assumiu comigo o trabalho desse projeto e já quinta-feira, 10/07, estaremos na Casa da Cultura apresentando.”
Além da música, outro aspecto importante do evento é a poesia. “A parte autoral é os poemas. Assim, 99% de tudo o que eu converso durante o evento é em poemas. Eu falo da minha infância aqui no Taquari, que é a terra natal da minha mãe. Falo dos meus avós, dos meus tios, que foram as minhas inspirações na música sertaneja, raiz.”
O evento começa às 20h em ponto! “Ser britânico nisso”, reforça Douglas. “Porque eu acho justo que, quem chega na hora, não pague por quem chega atrasado. Então nós vamos 20h, começar o evento.”
Os ingressos estão disponíveis com o artista – apenas com aquisição antecipada. “Não haverá ingresso lá. Apenas Apenas antecipado pelo (54) 99214-8633, a preço de R$ 40,00 o acesso.”
Viola, minha viola
Para o Página Rosa, o músico adiantou um pouco do evento. “A ideia é, 19h50, eu já vou dar o anúncio: ‘senhoras e senhores, em 10min, começamos’. A gente vai deixar um... Não é nem música, são sons ambientes: um relinchar, um piado, um cacarejo, uma porteira batendo, umas árvores com vento – para a galera já ir sentindo.”
O momento tem toda uma mística. “Às 20h em ponto eu começo: ‘senhoras e senhores, peço que ocupem seus lugares, fechem seus olhos e se imaginem na fazenda’. Aí, eu faço um momento, quase que um exercício de introspecção, para que as pessoas se sintam lá, sintam o barro, lembrem do cheiro do bolinho de chuva, da chuva batendo na terra, que lidem como cinco sentidos da vida do interior. Lembrem como são os cinco sentidos da vida do interior.”
Além do Douglas, outros seis músicos ocupam o palco: Alcione Pasqualotto, Lauriano Durante, Betuel Debovi, Patrick Lopes, Matheus Lodi e Wilson Lopes. “Nos momentos de músicas como ‘Boiadeiro errante’ e ‘A sementinha’ são os sete músicos, é a banda toda tocando – com gaita, com violão, com baixo, com guitarra, com bateria”, explica o artista.
Mas essa presença expressiva não tira o ar intimista da moda de viola. “Alguns momentos alternados, apagam-se as luzes desses sete músicos e o Wilson e eu, com a viola caipira, vamos um pouquinho à frente. Nos iluminam e, aí, os modão de viola em dupla.”
Narrando o campo
A moda de viola é uma das formas de música sertaneja. O ritmo tem como principal característica a narração recitada, quase declamada, em que o cantor conta uma história relacionada à vida no campo.
São três temáticas centrais: a saga dos boiadeiros e lavradores, um conjunto de histórias caipiras ou as narrativas trágicas de amor e morte. É o campo tradicional, com histórias dos trabalhadores da fazenda em forma de música.
A melodia é solta, de forma a compor uma espécie de poema musicado. O destaque é para a presença do solo de viola. Marcado e enfático, ele, por vezes, parece até estar separado da voz ou das vozes da canção, compondo, também, a estrutura das músicas dentro deste ritmo.
É um momento de nostalgia. “O de 2019, uma das frases que nós mais ouvimos do público que fez parte na Casa da Cultura foi: ‘Meu Deus, na próxima eu tenho que levar meu pai, tenho que levar meu tio’. É indubitavelmente um evento de nostalgia – é para o pai, para o vô, para o tio. Para recordar aquele momento vivido lá no passado no interior.”
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