Orquestra da Escola Sesi de Marau forma cidadãos por meio da música
Integrando o projeto Iniciação às Artes, a iniciativa tem aulas nas segundas e quintas-feiras
Além de um projeto musical, um ambiente de transformação. A música como ferramenta para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Esse é o objetivo da Orquestra Sesi de Marau, que ensina resiliência, disciplina, empatia e trabalho em equipe no ambiente escolar, por meio da musicalidade.
Parte da oficina de Iniciação às Artes, do Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), a proposta possibilita o aprendizado dos mais diversos instrumentos. Os encontros ocorrem duas vezes por semana, nas segundas e quintas-feiras, no contraturno escolar. Os instrumentos são disponibilizados pela instituição
Falar pela música
Desde a chegada a Marau, há 15 anos, a iniciativa já impactou mais de 500 jovens. Marauense, a instrutora do Sesi-RS, Kelyn Scalcon, de 25 anos, fez parte da primeira turma do Iniciação às Artes na cidade, quando tinha nove anos.
“Eu cheguei e vi a proposta da música como uma forma de me divertir”, afirma a musicista. “Então, a diversão e a aprendizagem vieram juntas. Depois, decidi seguir na área e me profissionalizar.”
Graduada em Música, Kelyn destacou o papel dessa formação na vida das futuras gerações. “É muito gratificante quando vejo que estou oferecendo o acolhimento que recebi na minha infância. Muitas vezes, eu não me encaixava na escola e, aqui, eu era muito feliz.”
“Criamos um ambiente acolhedor, para que os alunos possam errar e aprender com isso, desenvolvendo também a resiliência”, complementa a instrutora. “Durante as aulas, conduzimos o processo de forma bastante didática e divertida para que eles se soltem. Com a prática musical, e não só com o instrumento, a gente vê que eles vão se expressando mais e se desenvolvendo em inúmeras áreas, como a comunicação.”
Pelas mãos do maestro
Para o instrutor e maestro da orquestra Jadiel Bruning, de 27 anos, a música, por si só, já tem um poder transformador. “Quando somada à metodologia educacional do Sesi, mostra um resultado significativo de trabalho em equipe, na autonomia dos estudantes e no senso crítico”, explica. “Conseguimos perceber uma mudança muito grande, principalmente em alunos com dificuldades, como TDAH e hiperatividade.”
Jadiel também ingressou no programa como aluno, em 2012, e encontrou na educação musical o ritmo para a sua carreira. Após passar pelo projeto, cursou a faculdade de Música e, em 2016, ingressou na equipe de instrutores da unidade.
"Nos processos de aprendizagem musical ou ao tocar um instrumento, a música permite que a pessoa se conheça internamente”, reforça o maestro. “Ela trabalha emoções, temperamentos e pensamentos. Então, acredito que a música favorece muito e coopera para a formação de uma sociedade mais saudável.”
Completando a equipe de instrutores do projeto, Andriel Sturza leciona nas turmas de musicalização infantil e de instrumentos de base. O musicista atua nas oficinas de teclado, violão e bateria.
O som da transformação
De 14 anos de idade, Ana Clara Vicienzo aproveitou a oportunidade de entrar na orquestra por gostar de música. “Eu me sinto muito feliz aqui”, contou a aluna. “Eu sinto como se a música me deixasse mais leve e confortável”.
Lá, ela venceu a timidez para poder se apresentar em público com o grupo. “Perdi um pouco da minha vergonha, porque se apresentar num palco exige isso da gente”, afirma – mas não para por aí. “Aprendemos que todo mundo é diferente, principalmente os níveis de aprendizado. Isso ajuda muito a gente como pessoa.”
Mas não é só a Ana Clara, outros alunos participam e se orgulham de participar da Orquestra. “É uma alegria imensa, quase indescritível, participar disso”, conta Dyom Éder da Rosa, de 18 anos. “Aqui é como se fôssemos uma grande família e cada um tem o seu próprio papel nela. Separados, o resultado é bonito, mas juntos nos tornamos uma bela canção.”
“O propósito do programa Iniciação às Artes, assim como outros programas de educação do Sesi, é o desenvolvimento integral das crianças”, explica o analista de educação do Sesi-RS, Iltomar Siviero. “Por intermédio da orquestra, além de trabalharmos a atenção, a concentração, a persistência e a disciplina, a música entra como uma prática que só acontece coletivamente”
Para Iltomar, o trabalho também é uma formação para além da musical. “Preparamos eles para viver socialmente e para que busquem ser pessoas qualificadas, melhores e persistentes. Vejo isso como um ganho fundamental para a vida profissional deles.”
Quem pode participar?
A participação é gratuita para dependentes de industriários. Já para a comunidade em geral, há um custo mensal de R$ 167,00. Os estudantes não precisam ter experiência com a música.
Além de Marau, o Iniciação às Artes também é realizado em Santa Rosa, Gravataí, Lajeado e Panambi. As oficinas são destinadas a crianças e adolescentes de seis a 18 anos, matriculados em qualquer escola, pública ou particular, não sendo necessário ser aluno de escola do Sesi.
Inscrições e informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo telefone (54) 3371-1800 ou pelo WhatsApp (54) 99264-3490.
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