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Com Ditadura Militar como cenário, Elizandro Todeschini lança novo livro

Baixar Áudio por João Pedro Varal Tartari

Romance “Ninguém ouve o sangue” traz história de drama e mistério

Foto: Reprodução/Editora Litteralux

O defensor público Elizandro Todeschini realizou o lançamento de mais um livro. “Ninguém ouve o sangue” é o quarto livro publicado por ele, um romance cuja trama se concentra em um período de fortes tensões e opressões da história brasileira: a Ditadura Militar. A obra foi publicada em julho de 2025, pela Editora Litteralux, e mistura ficção e realidade. 

“É um romance relativamente curto, 126 páginas”, explicou Elizandro ao Página Rosa. “Traz personagens fortes, misturando algo do interior gaúcho, que dialoga um pouco também com o período da Ditadura Militar do Brasil. E espero que esse romance agrade os meus leitores.” 

A narrativa se concentra em um drama repleto de mistérios. “O leitor vai, aqui, encontrar a história de um menino sensível, que tem medo de ver os animais sendo mortos. E ele é exatamente filho de pessoas que trabalham com a carneação de gado.” 

Esse é Vitório, mas se junta a ele outra personagem – Melchor. “Um professor misterioso da capital gaúcha, que carrega silêncios, contradições e, também, coisas mal explicadas. A trama vai misturando infância, dor, descoberta, esperança – pequenos detalhes da vida no interior que se cruzam com esses acontecimentos grandes do ponto de vista do Brasil.” 

A melhor forma de obter “Ninguém ouve o sangue” é diretamente com o autor. “O livro pode ser encontrado diretamente comigo. Eu estou entregando os exemplares para quem tem interesse em adquirir. Até porque eu entendo que, às vezes, cada entrega de um livro carrega uma conversa, um encontro também, o que é muito interessante.” 

Uma narrativa de contrastes 

O cenário surgiu de uma vontade do autor. “Eu sempre quis escrever sobre a Ditadura Militar, esse pano de fundo histórico, mas eu não queria algo panfletário – não queria que se repetissem os personagens plásticos que combatiam a ditadura e assim por diante. Não queria cair nesse tom repetitivo. Pensei, então, em trazer algo do interior do Rio Grande do Sul, onde, talvez, as coisas não chegassem tanto. Algo distante dos grandes centros.” 

“Eu fiz um contraste aqui”, explica Elizandro. “Eu quis trazer essa mistura com a vida cotidiana do campo, com o silêncio e as violências próprias que também acontecem no campo. E fazer esse contraste tratando de algo daqui, da nossa região, que entra na linha de colisão com esses eventos históricos que o país passava.” 

Além das influências da atuação junto à assistência jurídica. “O fato de eu trabalhar como defensor público acaba atravessando o livro de alguma maneira, porque a empatia pelo sofrimento dos outros acaba sendo algo que quem trabalha na Defensoria Pública sempre carrega. Perceber uma injustiça escondida.” 

Esse fator surge, principalmente, no processo de criação de personagem. “Embora não seja uma história do tribunal, esse livro, mas carrega, ali, a atenção a quem é, normalmente, ignorado pela sociedade, e que o defensor público, na sua tarefa, no diário, de atender pessoas, precisa ficar atento a isso.” 

Amor é amor, romance é romance 

Vale sempre lembrar a amplitude que tem o termo romance no campo da Literatura. No senso comum, a palavra é principalmente usada para descrever um gênero de histórias: as que falam de amor ou contam situações da relação, surgimento ou fim de um par romântico. 

Quando entramos a fundo na teoria literária, o romance vai descrever uma subcategoria do gênero narrativo. A proposta central é construir uma história de ficção longa, escrita em prosa e publicada como livro.

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