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Comunidade: canal de conexão com as pessoas e o mundo

Miguel Debiasi

 

Sem sombra de dúvida, hoje o grande meio de comunicação com o mundo é a internet. Pelo computador e smartphones as pessoas se conectam com todo o mundo. Contudo, isto é insuficiente para a conexão entre as pessoas. A comunicação via internet pode representar facilidade e rapidez. Mas também representar a superficialidade, transitoriedade, autossuficiência, isolamento, rompimento de relações comunitárias. A verdadeira conexão com as pessoas e o mundo acontece pela vida de comunidade.

A procura por relacionamentos via internet tem sido um fenômeno social de nossa era. Milhões de pessoas buscam sua felicidade por essa vertente do mundo virtual. Pelas redes sociais se configura a cultura secular, sob a rubrica do direito e da liberdade de compartilhar a vida pessoal. Porém, as trocas de informações com pessoas de outro lado do mundo configuram-se às vezes como relações que ficam embaçadas, confusas. Às vezes as pessoas passam boa parte da vida vivendo na trivialidade, do frugal, do frágil e do vulnerável. O mundo virtual pode significar um comportamento enfeitado pela ideia de autonomia, sob a égide que encobre o distanciamento da comunidade, das pessoas próximas. Por maiores que sejam as conexões virtuais, serão insuficientes no campo afetivo e efetivo.

A realização da vida humana passa por mediações e relações que compartilham esperanças, por valores imprescindíveis, como o da comunidade. Homens e mulheres jamais se realizam plenamente sem laços afetivos e efetivos com a comunidade. Com efeito, viver em comunidade implica colaborar com os comportamentos éticos, morais e sociais plausíveis à vida comunitária. Para tanto, requer a lealdade de cada membro com a capacidade de catalisar e estimular a vida de comunidade. O viver num espaço comum, como o da comunidade ou da cidade, implica políticas públicas que levem a responsabilidades éticas e vínculos sociais garantidos de forma coletiva.

Porém, a cultura secular prende o ser humano às raias da trivialidade que desfaz qualquer sentido de viver em comunidade. Essa situação exige privatizar e individualizar também a vida humana, com as posses, os bens, a economia. A separação da comunidade aumenta as angústias, os tormentos e inseguranças, desprotegendo o ser humano. O movimento que afasta da comunidade reveste-se de solidão e de um subjetivismo incapaz de aceitar a coexistência e a vida compartilhada.

Em contexto de indiferenças, intolerâncias e desigualdades sociais são razões para pensar na importância da comunidade. A reinserção na comunidade significa desfrutar do privilégio da liberdade pessoal e da segurança existencial, social. A vida comunitária representa emancipação do sujeito que pleiteia enfrentar as patologias da sociedade contemporânea. Frente a tantas patologias do mundo virtual, a reinserção na comunidade parece ser caminho a contemplar a significação da vida humana e trilha de um agir coletivo e global focalizado no bem comum e na segurança pública.

 

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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