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Missão das mulheres na Igreja

Miguel Debiasi

Cristo fundou sua Igreja sobre a fé da comunidade dos apóstolos, na qual mulheres estavam presentes. Com efeito, nossa fé traz a presença feminina. Milhões de cristãos devotam sua fé a Virgem Maria. Nossas mães foram as primeiras catequistas a transmitir os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos. Cristo chamou a todos para sua missão. Certamente, o crescimento do cristianismo e a propagação da fé em Cristo têm o protagonismo das mulheres. 

Sociólogo da religião, o americano Rodney Stark (1934), em sua obra O Crescimento do Cristianismo (2006), apresenta quatro razões do crescimento do cristianismo relacionadas às mulheres. Uma razão do desenvolvimento do cristianismo está associada ao Império Romano, que carecia de mulheres até mesmo para procriação. Outra está relacionada aos coeficientes sexuais, pois a conversão dos pagãos ao cristianismo teve um viés sexual, já que as mulheres cristãs levaram seus maridos a aderirem à mesma fé. A terceira razão é que os baixos coeficientes dos cristãos, se comparados com os pagãos, elevava o status das mulheres, valorizando o papel das esposas, viúvas e noivas na cultura cristã. Quarta, a capacidade reprodutiva das mulheres estava associada à fertilidade cristã frente aos pagãos.

Estas são as razões sociológicas da importância das mulheres para o crescimento do cristianismo, segundo Rodney Stark. A teóloga luterana Marga Janete Ströherem, em seu ensaio “A Igreja na casa dela” (1996), apresenta a importância das mulheres para o crescimento do cristianismo com base em fatores religiosos. A teóloga inicia ressaltando que o cristianismo tem suas origens no judaísmo palestinense e no contexto greco-romano. Este contexto cultural greco-romano constituiu o patriarcado e consolidou-se como ideologia de dominação. Mas, foi neste contexto que as mulheres cristãs primitivas conquistaram emancipação pelo protagonismo religioso, pela participação na tarefa missionária da Igreja e pelo papel de transmitir os ensinamentos cristãos.

Sabe-se que historicamente a cultura e a ideologia patriarcal greco-romana marcaram o mundo ocidental. Na Grécia Antiga as mulheres não eram cidadãs, apenas desempenhavam seu papel de mães, esposas ou filhas na sua reclusão no oikos, ou seja, na casa. No tempo do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), Atenas era uma cidade considerada o mundo intelectual do qual as mulheres não tinham nenhuma participação. A única forma de participação pública das mulheres estava ligada às celebrações dos funerais. Portanto, restrita ao campo religioso.

Na época de Jesus, na sociedade romana as mulheres eram submetidas ao poder do pater familias, sempre uma posição masculina. Ou seja, a mulher era para a geração dos filhos, pois o exercício da cidadania estava ligado ao homem. Na sociedade romana a participação religiosa das mulheres também era secundária, o protagonismo cabia ao homem. Este era considerado capaz de exercer autoridade sobre o grupo.

Ao constituir sua Igreja, Jesus indicava a assembleia dos cidadãos, termo usado pelos primeiros cristãos. As mulheres tinham e exerciam uma responsabilidade pública. Para a teóloga, ao ler os textos bíblicos (Atos dos Apóstolos, 16; Romanos, 16), tem-se uma chave de leitura para a participação e protagonismo das mulheres na missão da Igreja. Ademais, o conjunto dos textos do Novo Testamento narram amplamente a função das mulheres: cooperadoras, missionárias, diaconisas, auxiliares, protetoras, animadoras. Por sua vez, muitos são os nomes das mulheres lembradas nos textos bíblicos, como Lídia, Priscila, Júnia, Maria, Tifena, Trifosa, Perside.

Sem sombra de dúvidas, a Igreja e a nossa fé trazem o protagonismo das mulheres. Frente a um cenário político brasileiro de misoginia, a teóloga luterana Marga Janete Ströher oferece um aprofundado estudo da participação das mulheres na história do cristianismo, da Igreja e de sua emancipação social, cultural, política. Certamente, outros estudos são iluminadores e, consequentemente desafiadores para contrapor um discurso político misógino e um governo que promove diariamente um desprezo quanto ao papel e a capacidade das mulheres.

 

Sobre o autor

Miguel Debiasi

Frei capuchinho. Atualmente é pároco da Paróquia Cristo Rei, de Marau, RS, e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014. Mestre em Filosofia e Teologia.Autor do livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015, pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Também escreve artigos e crônicas.

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