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Rio Grande do Sul reforça Defesa Civil e aposta em prevenção para enfrentar eventos climáticos extremos

por Alice Corrêa

Estado amplia planejamento municipal, investe em estrutura técnica e prepara nova política de proteção para aumentar a capacidade de resposta a desastres naturais

Foto: Divulgação / Defesa Civil

A experiência vivida pelo Rio Grande do Sul durante os eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos está impulsionando uma profunda reformulação na área de proteção e defesa civil. Após enfrentar enchentes históricas e diante das projeções que apontam para novos desafios climáticos, o Estado trabalha na construção de um modelo mais integrado de prevenção, gestão de riscos e resposta a emergências.

Um dos principais avanços destacados durante o Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, foi a elaboração dos planos de contingência municipais. Pela primeira vez, os 497 municípios gaúchos apresentaram seus documentos de planejamento para situações de emergência, um cenário bastante diferente do registrado anteriormente, quando apenas uma pequena parcela das cidades possuía esse tipo de instrumento formalizado.

De acordo com o chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, a qualificação desse trabalho também avançou. A análise técnica aponta que mais de 80% dos planos entregues apresentam níveis satisfatórios de qualidade, demonstrando maior preparação dos municípios para enfrentar eventos adversos.

Além da elaboração dos planos, o governo estadual vem promovendo treinamentos voltados à gestão de crises e à aplicação de sistemas de comando de incidentes. Paralelamente, está sendo desenvolvido um amplo levantamento sobre vulnerabilidades climáticas e ambientais, que contemplará todos os municípios do Estado.

Outra mudança em discussão envolve a estrutura administrativa da Defesa Civil gaúcha. O Executivo estadual debate com a Assembleia Legislativa a criação de uma estrutura própria para o órgão, reduzindo sua vinculação à Casa Militar e ampliando sua autonomia operacional. A proposta prevê a formação de uma equipe técnica especializada e permanente, voltada exclusivamente às ações de prevenção e gestão de desastres.

O fortalecimento institucional já começou a ser colocado em prática com a criação de mais de uma centena de novos cargos. Entre os profissionais incorporados estão especialistas que antes não integravam os quadros da Defesa Civil, como geólogos, engenheiros, arquitetos e meteorologistas, ampliando a capacidade técnica para análise de riscos e planejamento de ações preventivas.

Segundo Boeira, o objetivo vai além da atuação durante situações de emergência. A intenção é consolidar uma cultura de prevenção entre a população, estimulando o acesso a informações e a adoção de medidas de segurança, especialmente em áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos e outros fenômenos naturais.

Os investimentos também incluem a modernização da infraestrutura de monitoramento climático. O Estado está adquirindo quatro novos radares meteorológicos e trabalha na implantação do Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres, estrutura que deverá centralizar informações estratégicas e coordenar ações em situações de crise.

O interesse crescente pelo tema ficou evidente durante o congresso realizado na capital gaúcha, que registrou grande participação de gestores públicos, especialistas e representantes da sociedade civil já nas primeiras horas de programação.

Planejamento e cooperação regional

A construção de uma política mais eficiente de proteção e defesa civil passa também pela articulação entre diferentes instituições. O secretário executivo para a América Latina do ICLEI — rede internacional voltada ao desenvolvimento sustentável de governos locais —, Rodrigo Perpétuo, destacou que conhecer detalhadamente os pontos de vulnerabilidade das cidades é essencial para reduzir impactos provocados por chuvas intensas, enchentes e outros eventos extremos.

Atualmente, o ICLEI apoia o governo gaúcho na realização de dez oficinas regionais participativas, que buscam reunir informações e demandas locais para subsidiar a elaboração de um plano estadual de resiliência climática. A expectativa é que o documento seja concluído até o final deste ano.

Central de Conteúdo Unidade Tua Rádio São Francisco

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