Parceria entre UCS e ONG já garantiu tratamento a 29 cavalos resgatados de maus-tratos no RS
Animais atendidos na Clínica de Grandes Animais chegam em estado crítico e, após recuperação, retornam ao santuário ou seguem para adoção responsável
Uma parceria entre a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o Santuário Pé de Chulé, de Porto Alegre, já possibilitou o atendimento veterinário de 29 cavalos resgatados de situações de abandono, maus-tratos e vulnerabilidade desde 2020. Os animais são encaminhados à Clínica de Grandes Animais da instituição, onde recebem tratamento especializado antes de retornarem ao santuário ou serem encaminhados para adoção.
Os equinos chegam, na maioria das vezes, em estado grave de saúde, apresentando desnutrição, desidratação, feridas, tumores na pele e outras complicações decorrentes da negligência ou de maus-tratos.
Além de contribuir para a recuperação dos animais, a iniciativa também proporciona experiência prática aos estudantes de Medicina Veterinária. Segundo o coordenador do curso, Leandro do Monte Ribas, o contato com casos reais amplia a formação dos futuros profissionais, permitindo que eles enfrentem situações que vão além do conteúdo tradicional das salas de aula.
Após o tratamento na UCS, os cavalos retornam ao Santuário Pé de Chulé, onde continuam recebendo acompanhamento veterinário quando necessário. Em alguns casos, os animais recuperados encontram novos lares por meio de adoções responsáveis, inclusive na Serra Gaúcha.
Criado em 2015, o Santuário Pé de Chulé está localizado no bairro Lami, em Porto Alegre, e atualmente abriga cerca de 200 animais, entre eles 64 cavalos, além de bois, porcos, aves, cães e gatos. Muitos foram resgatados durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Segundo a vice-presidente da entidade, Ana Sena, os cavalos costumam receber menos atenção da população, embora frequentemente necessitem de atendimento imediato. Ela destaca que a parceria com a UCS tem sido essencial para ampliar a capacidade de atendimento da organização, especialmente em casos que exigem procedimentos de maior complexidade.
A manutenção do santuário gera um custo mensal de aproximadamente R$ 90 mil, valor destinado à alimentação, medicamentos e cuidados veterinários. Grande parte dos cavalos acolhidos é idosa e necessita de alimentação especial, já que muitos perderam a dentição ao longo da vida.
Além dessa atuação, a UCS foi escolhida recentemente para representar as instituições de ensino e pesquisa do Rio Grande do Sul no Conselho Gestor do Fundo de Proteção e Bem-Estar dos Animais Domésticos. A universidade também mantém uma estrutura voltada ao atendimento animal por meio do Complexo de Saúde Animal, que reúne hospital veterinário, clínica para grandes animais, zoológico universitário e centro de atendimento à fauna silvestre.
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